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Custos dos fertilizantes e regras da UE desafiam produtores

Produção de café se torna desafio a produtores (Foto: Divulgação)

Custos dos fertilizantes e novas exigências da União Europeia (UE) desafiam cafeicultores da região de Marília que buscam manter a rentabilidade da atual safra. A instabilidade no Estreito de Hormuz, no Oriente Médio, em meio aos conflitos armados na região, reduziu a oferta de ureia e nitratos no mercado internacional.

Diante desse cenário, produtores rurais da região recorreram ao sulfato de amônio importado da China como principal alternativa para suprir a demanda por fertilizantes nitrogenados.

Nesse contexto, o Plano Nacional de Fertilizantes busca incentivar a produção interna de nutrientes. O engenheiro agrônomo e produtor rural Pedro Henrique Lorenzetti Losasso afirma que a iniciativa é importante, mas avalia que o avanço da indústria nacional ocorre de forma lenta e ainda não atende às necessidades do agronegócio.

Pedro Henrique Lorenzetti Losasso é produtor rural e engenheiro agrônomo (foto: Divulgação)

“O estímulo pela produção nacional de fertilizantes é importante, mas é um processo demorado e insuficiente para atender à demanda do agro brasileiro. Práticas agronômicas que aumentem a eficiência dos insumos, além do aperfeiçoamento de técnicas regenerativas, também podem contribuir para diminuir essa dependência externa dos nutrientes essenciais para o agro”, afirma.

Segundo Losasso, o sulfato de amônio utilizado pelos produtores é um subproduto da fabricação industrial de nylon. O insumo sustentou parte do mercado de fertilizantes durante o período de maior escassez internacional. Com a redução das tensões e a gradual normalização do fluxo marítimo na região, os preços dos fertilizantes passaram a apresentar tendência de queda.

Instabilidade geopolítica e a rota dos nitrogenados

De acordo com o agrônomo, a alta dos preços provocada pelo conflito ocorreu, principalmente, durante a entressafra agrícola, o que reduziu o impacto financeiro direto sobre as lavouras em plena colheita. Além disso, a valorização do real frente ao dólar favoreceu as operações de importação dos fertilizantes.

Apesar desse cenário, Losasso afirma que o maior desafio financeiro dos cafeicultores está na próxima safra. Segundo ele, a escassez de financiamentos e o alto custo do crédito bancário comprometem a viabilidade econômica de diversas propriedades.

“O crédito está escasso e caro. O produtor que estava muito alavancado continua endividado e com dificuldade de acesso ao crédito para manter as lavouras.”

Escassez de financiamento e rigidez de preços

Os recursos disponíveis, segundo Losasso, são insuficientes para cobrir os custos operacionais com insumos importados. Como consequência, produtores mais endividados enfrentam dificuldades para obter capital de giro.

O engenheiro agrônomo destaca que o café é uma commodity com preço definido pelo mercado internacional. Por isso, os produtores não conseguem repassar aos compradores os aumentos dos custos de produção, já que as cotações são determinadas pelas expectativas globais de oferta e demanda.

Para reduzir a dependência externa de fertilizantes, Losasso defende o fortalecimento da produção nacional, aliado à adoção de práticas regenerativas e de técnicas agronômicas que aumentem a eficiência dos nutrientes aplicados ao solo.

Impactos do regulamento ambiental europeu no mercado

Além dos desafios econômicos, as novas exigências do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) criam novos critérios para a exportação de café.

A norma exige maior rastreabilidade da produção e comprovação de que os produtos não estão associados ao desmatamento, o que, segundo o agrônomo, pode dificultar o acesso de pequenos produtores e cooperativas ao mercado europeu.

Losasso afirma que as propriedades cafeeiras da região estão tecnicamente preparadas para fornecer informações de geolocalização e mapeamento digital. No entanto, avalia que o aumento das exigências burocráticas pode excluir parte dos pequenos produtores do comércio internacional.

Segundo ele, o agronegócio brasileiro já opera de forma sustentável, produtiva e diversificada. O especialista argumenta que restrições excessivas impostas pela União Europeia tendem a elevar os custos da cadeia produtiva e, consequentemente, os preços dos alimentos pagos pelos consumidores europeus.

Michele Rodrigues

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