A decisão de ouvir Paulo Roberto Costa foi tomada depois de uma reunião na manhã de hoje (10) entre o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo, integrantes da comissão e líderes de vários partidos de governo e de oposição.
Mesmo com a posse do ministro Ricardo Lewandowiski como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) marcada para esta tarde, Vital do Rêgo adiantou que pretende que um grupo de senadores seja recebido ainda hoje pelo ministro Teori Zavascki, que é relator sobre os processos da Operação Lava Jato na corte. Os senadores querem pedir que o ministro autorize o compartilhamento automatico, com a comissão, de todas as informações passadas à Justiça, pelo ex-diretor da Petrobras, em troca da delação premiada.
“Além de autoincriminar, ou seja, assumir parte nesta trama criminosa ele está apontando outras pessoas que participaram de atos de corrupção envolvendo a Petrobras. Então é fundamental que o Congresso possa trazê-lo à CPMI e, com a sua participação, a gente possa esclarecer boa parte dos fatos nebulosos e criminosos que estão sendo noticiados pela imprensa”, disse o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), suplente na CPMI.
Durante a reunião, o líder o PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno, cobrou a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de empreiteiras envolvidas com a Petrobras. “A quebra de sigilo tem fundamental importância para esclarecer de onde saiu e aonde foram parar bilhões de reais.”
O envolvimento de políticos em um esquema de propina na Petrobras foi noticiado em reportagem da revista Veja desta semana, com base em depoimento prestado por Paulo Roberto Costa na Polícia Federal. Segundo a revista, foram citados nomes de parlamentares, ministro e ex-governadores que teriam participado do esquema de recebimento de propina em negócios da petrolífera com outras empresas. De acordo com a Veja, Costa fez um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, que permite a redução da pena para quem colabora com as investigações.
A CPMI da Petrobras ouve às 14h30 o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró. Desta vez, entre outras questões, o executivo será perguntado sobre a denúncia de que teria transferido imóveis a familiares logo após o caso Pasadena ter sido divulgado pela imprensa. Na lista está um apartamento onde morou durante cinco anos em Ipanema, no Rio de Janeiro.
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