Esportes

Corinthians inicia nova fase de parceria com seu principal patrocinador

O Corinthians aposta na força de sua torcida para fazer prosperar o banco digital Meu Corinthians BMG. Depois de lançar o modelo de negócios em parceria com a instituição financeira no mês de janeiro, o clube lançou nesta semana o “banco da nação corintiana”, de acordo com a peça publicitária.

O funcionamento é simples. Os torcedores devem baixar o aplicativo para uso em telefones celulares e computadores e escolher a transação, como pagamento de contas de consumo. O banco vai remunerar o clube com um porcentual de cada transação – o valor não foi divulgado. Não existem taxas de adesão ou de abertura de contas.

O modelo é diferente dos patrocínios esportivos tradicionais em que a empresa remunera o clube para expor marcas no uniforme em troca de visibilidade. Nesse caso, o negócio envolve a remuneração variável. O banco aposta suas fichas no aumento da base de clientes. O clube acredita que a força da torcida vai garantir a rentabilidade do negócio – mesmo sem a taxa de abertura de contas, como acontece no modelo adotado pelo Cruzeiro com o Banco Renner. A meta inicial é a conquista de 200 mil contas.

Fernando Trevisan, especialista em gestão esportiva, destaca o poder de atração do futebol. “Mesmo com a saída da Caixa, esses outros segmentos estão interessados no futebol. No caso do Corinthians, existe um grande desafio, pois não há taxa de abertura de conta. A geração de receitas vem da venda de produtos financeiros. Isso é um desafio, pois os torcedores já têm seus bancos”, alerta.

Danyel Braga, diretor de negócios da Golden Goal, afirma que as métricas de mensuração de vendas precisam ser claras para garantir transparência dos resultados e a aplicação dos bônus de performance de vendas para o clube.

Darcio Genicolo Martins, professor do departamento de economia da PUC-SP, explica que o grande desafio dos bancos é atrair clientes por determinado tempo. “Com esse modelo, os esforços ficam divididos, pois o clube também está engajado em conseguir novos clientes”, explica o pesquisador em Economia do Futebol.

No passado, o Corinthians não teve experiências bem-sucedidas com patrocínios com remuneração variável. Em 2000 e 2001, a meta de bônus da Pepsi estava atrelada ao aumento de vendas. Até as latas eram personalizadas com o escudo do clube. As vendas não aumentaram e a Pepsi abandonou a tática. Recentemente, o projeto de cartão de crédito da Caixa e o sistema de fidelidade com o torcedor teve a adesão de apenas oito mil pessoas em dois anos.

Agência Estado

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