A prisão em flagrante do mecânico Gláucio da Silva Garcia, de 37 anos, acusado de matar o jovem Gustavo Henrique Melli de Oliveira, de 18 anos, na madrugada do último sábado (1º), no bairro Montana, trouxe à tona um histórico recente de violência envolvendo o acusado. Cerca de três meses antes do homicídio, ele já havia sido identificado como autor de um ataque com foice contra um mototaxista de 33 anos, na zona sul de Marília, em um caso que quase terminou em tragédia.
Segundo informações apuradas pelo Marília Notícia, o episódio anterior de violência teria ocorrido no dia 26 de abril deste ano, quando Gláucio foi apontado como autor de um ataque contra um mototaxista no Jardim Continental.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, por volta das 13h30, o mecânico teria pedido R$ 1 via PIX ao trabalhador, que atuava em um ponto de mototáxi na Avenida Tomé de Souza. Na sequência, ele pegou a motocicleta da vítima sem autorização e deixou o local.
Pouco tempo depois, Gláucio teria retornado com o veículo apresentando danos, dando início a uma discussão entre os dois. Durante o desentendimento, segundo a apuração da Polícia Civil, o suspeito se armou com uma foice retirada do interior de um automóvel e desferiu um golpe no braço esquerdo do mototaxista. Além da agressão, ele também atingiu a motocicleta com a foice.
O trabalhador sofreu um ferimento grave, precisou ser internado e passou por cirurgia devido à gravidade da lesão. O caso só foi comunicado à Polícia Civil no dia 6 de maio, quando o mototaxista deixou o hospital.
Ameaça com arma
Gláucio já havia sido preso em janeiro de 2015, quando tinha 25 anos, acusado de porte ilegal de arma de fogo e ameaça, no condomínio de prédios da Homex, na zona oeste de Marília. O crime teria sido praticado após o suspeito desconfiar que estava sendo traído.
No local, uma das vítimas que acionou o socorro, disse aos policiais que o autor havia discutido com várias pessoas e teria apontado a arma para uma delas, em claro sinal de ameaça. A equipe então localizou Gláucio em sua casa, que em um primeiro momento, negou que possuía qualquer tipo de arma.
Em buscas, os militares acabaram encontrando uma pistola Browning calibre 635, dentro de uma lata de lixo no pátio do condomínio. Pressionado, Garcia acabou confessando a briga e disse que desconfiava de uma suposta traição da mulher, que já estava em adiantado estado de gravidez.
Ele foi encaminhado para o plantão policial e o delegado não arbitrou fiança, ratificando a prisão em flagrante. A arma encontrada, R$ 124 em dinheiro e uma barra de ferro foram apreendidos.
Assassinato
No crime mais recente, Gustavo Henrique morreu após ser atingido por um golpe de faca no peito durante uma briga que começou em frente a uma adega no bairro Montana e se estendeu por diversas quadras. Gláucio foi localizado e preso poucas horas depois pela Polícia Militar (PM), enquanto dormia na casa da mãe.
Equipes da PM foram acionadas por volta das 3h45 para atender uma ocorrência no cruzamento das ruas Miguel de Souza e Silva e Padre Próspero Vequione. No local, socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentavam reanimar a vítima, mas Gustavo não resistiu aos ferimentos e morreu ainda na via pública.
A identificação do suspeito ocorreu após populares entregarem aos policiais documentos pessoais que haviam sido deixados por ele durante a confusão. Com auxílio do sistema Muralha Paulista, os militares obtiveram uma fotografia de Gláucio, que foi reconhecido por uma testemunha que presenciou os fatos.
Um vídeo mostrou o início da confusão. Em seguida, os policiais seguiram até a residência da mãe do suspeito, onde ele foi encontrado dormindo em um dos quartos e recebeu voz de prisão.
Durante o interrogatório, Gláucio afirmou que havia ido até uma adega da região para comprar cigarros quando se envolveu em uma discussão. Segundo sua versão, passou a ser perseguido por várias pessoas e, ao cair durante a fuga, utilizou uma das duas facas que carregava para se defender.
O caso é investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Marília, que também analisa imagens de câmeras de segurança registrando parte da perseguição ao suspeito antes do golpe fatal. O inquérito conduzido pela DIG deverá esclarecer toda a dinâmica do homicídio e subsidiar a responsabilização criminal do investigado perante a Justiça.
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