Brasil e Mundo

Congresso derruba veto, e aluno deverá ter psicólogo

O Congresso derrubou nesta quarta-feira, 27, o veto integral do presidente Jair Bolsonaro à proposta que garante atendimento por profissionais de psicologia e serviço social aos alunos das escolas públicas de educação básica. Com a decisão, volta a valer o texto aprovado no último mês de setembro pelos deputados.

De acordo com o texto aprovado, profissionais de psicologia e do serviço social deverão atender os estudantes dos ensinos fundamental e médio, buscando a melhoria do processo de aprendizagem e das relações entre alunos, professores e a comunidade escolar. Além disso, o texto ainda estabelece a possibilidade de atendimentos em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS).

A justificativa da Presidência para o veto inicial era de que a proposta era incostitucional porque criava despesas obrigatórias ao Poder Executivo. De acordo com o Planalto, o projeto não indica a respectiva fonte de custeio nem traz demonstrativos dos respectivos impactos orçamentários e financeiros da medida.

Rede de apoio

A pedagoga Telma Vinha, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), disse que o trabalho desses profissionais nas redes de ensino pode ajudar em uma série ações ainda que eles não atuem diretamente dentro das escolas. “O papel deles não é fazer terapia individual dentro do colégio, mas na melhora dos processos de aprendizado, na articulação da escola com a comunidade, na formação de professores, ajudando a montar estratégias de mediação de conflito, etc”.

Segundo ela, a legislação atual deixa as unidades de ensino desarticuladas e desamparadas do apoio psicológico e assistencial. A articulação prevista no projeto de lei, segundo ela, poderia trazer mais suporte para os educadores. “Hoje, o professor identifica que o aluno está com algum problema, que está sofrendo maus tratos em casa ou que está se automutilando. Mas não consegue ajuda psicológica ou atendimento rápido dos assistentes sociais.”

“Com a organização que temos hoje, o professor fica desamparado. Está sozinho e seus alunos também. Porque mesmo que identifique a situação de vulnerabilidade, nem sempre eles conseguem a ajuda necessária”, disse Telma.

Claudia Costin, que foi secretária de Educação do Rio e diretora para Educação do Banco Mundial, disse que a ideia é correta ao propor uma “rede de apoio” para as unidades escolares e não por determinar a criação de cargos inviáveis economicamente. “Vários arranjos podem ser feitos já que os municípios vão ter articulação com os profissionais que já estão atuando nas secretarias de Saúde e Assistência Social, podendo, inclusive, se articular com outras prefeituras ou com o Estado”.

Ela destacou que redes de ensino maiores, como as estaduais, já possuem equipes próprias para auxiliar e formar professores para identificar transtornos ou situações de violência e vulnerabilidade entre os alunos. “O professor deve e já trabalha para identificar essas situações, mas há um limite e diversas situações do cotidiano que ele não está preparado para lidar por melhor que seja a sua formação. Não há faculdade ou formação que ensine a lidar com todos problemas que os alunos podem trazer.”

Costin lembrou que a rede de assistentes sociais e psicólogos da rede municipal do Rio teve grande importância no suporte e recuperação dos alunos e professores após a chacina de Realengo, quando um jovem matou 12 alunos e feriu outros 22 dentro da escola. “Alguém precisa também ajudar o professor a lidar com a própria dor, com as inseguranças. A escola não tem que ter essa responsabilidade sozinha, é preciso ter uma rede de apoio bem estruturada”.

Agência Estado

Recent Posts

Marília reabre licitação para contratação de 400 cuidadoras escolares

Ao todo, 400 profissionais de apoio devem atuar na rede municipal de ensino (Foto: Marília…

9 horas ago

Anvisa mantém suspensão de fabricação e venda de produtos Ypê

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a suspensão da fabricação, distribuição e…

9 horas ago

Em Marília, Derrite diz que aumento de confrontos policiais foi parte de estratégia

O deputado federal, Guilherme Derrite, enalteceu seus dados de letalidade da PM em São Paulo…

10 horas ago

Corregedoria apura suposto assédio contra paciente com deficiência

A Corregedoria Geral do Município de Marília instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra um motorista…

10 horas ago

MN TV: Ladrões testam a paciência do povo e nem posto de saúde escapa

https://www.youtube.com/watch?v=-bJl4jda7DM

10 horas ago

Decisão da Justiça na Itália favorece descendentes em busca de cidadania

A Corte Suprema di Cassazione da Itália decidiu nesta semana que a cidadania italiana iure sanguinis,…

12 horas ago

This website uses cookies.