Marília

Com Tarcísio em SP, Marília espera ficar no topo das preferências

Tarcísio ao lado da primeira-dama Regina, Dani e Daniel Alonso (Foto: Michele Correia/Marília Notícia)

Após 28 anos, o Estado de São Paulo deixou de ser governado pelo PSDB. A mudança trouxe Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o comando paulista, com os votos que tradicionalmente eram direcionados aos tucanos. A expectativa é que Marília seja lembrada com mais frequência a partir deste ano, devido à preferência dos marilienses, que votaram em peso no novo governador, mas também pelo apoio político que recebeu.

No primeiro turno, o governador foi o escolhido por 70.955 eleitores, ou 58,21%. Um resultado excelente, principalmente se considerar que um dos adversários, Rodrigo Garcia (PSDB), além de ter a máquina do Estado na mão, tinha o apoio irrestrito do deputado estadual Vinicius Camarinha (PSDB), eleito por Marília e região.

Após vencer a primeira etapa da disputa, Tarcísio de Freitas não deu chances para o oponente e confirmou o favoritismo no segundo turno, com 88.084 votos, ou 69,58% do total entre os marilienses.

Além dos votos, o apoio político recebido do prefeito Daniel Alonso (sem partido), que deixou o PSDB durante uma visita do então candidato Tarcísio, declarando seu total apoio para o postulante ao comando do Palácio dos Bandeirantes, antes da realização do primeiro turno, pode ser fundamental para que a cidade não seja esquecida ao longo do mandato.

“É uma parceria muito forte. Ele deixou isso claro no dia que deixei o PSDB e abracei a campanha dele. Fui o primeiro a fazer isso. O Tarcísio não esquece e sempre cita isso. Aqui mesmo, no palanque, ele disse que não ia esquecer esse apoio. Vamos deixar o homem tomar ciência das coisas. Ainda não faz um mês que ele assumiu. Ainda tem um tempinho para toda a equipe tomar posse”, comenta Daniel Alonso.

Naquele momento, as pesquisas indicavam Fernando Haddad (PT) na liderança, com Tarcísio em segundo e Rodrigo Garcia crescendo na reta final. É evidente que, quando os votos foram contabilizados, demonstrando que o tucano não teve nenhuma chance e o candidato do Republicanos havia aberto grande vantagem, o movimento de Daniel Alonso foi encarado como uma ótima estratégia no jogo do xadrez político.

Talvez tenha sido um pouco arriscado, mas se mostrou certeiro. Se Garcia fosse para o segundo turno, teria grandes chances de derrotar Haddad, mas como Alonso havia enxergado, a disputa polarizada entre Bolsonaro (PL) e Lula (PT) se repetiria no Estado de São Paulo.

Daniele Alonso (PL), filha do prefeito Daniel Alonso, já apoiava Tarcísio e contou o reforço do pai para engrossar ainda mais o apoio em Marília. Nas cidades da região e do interior de São Paulo quase em sua totalidade, Garcia era amplamente apoiado pelos prefeitos. Vale lembrar que foram liberados recursos para diversos municípios, como para a construção do novo Hospital da Criança e da Mulher, em substituição ao Hospital Materno Infantil (HMI).

Se o plano de Daniel Alonso desse errado e Rodrigo Garcia permanecesse no comando do Estado, Marília possivelmente poderia ser parcialmente “esquecida”, ao menos enquanto o atual chefe do Executivo estivesse na Prefeitura, pelos últimos dois anos de mandato. O município provavelmente se beneficiaria apenas das demandas propostas pelo deputado Vinicius Camarinha, principal aliado do ex-governador.

O primeiro sinal de que não apoiaria o então governador foi justamente durante a visita de Garcia à cidade. O então governador foi recebido por Vinicius Camarinha. Eles caminharam pelo Centro de Marília e estiveram juntos no lançamento oficial da candidatura do deputado estadual mariliense. A ausência de Daniel Alonso, que ainda era do PSDB, foi percebida por todos os presentes.

A saída de Daniel Alonso do PSDB passou pelo ingresso de Vinicius ao partido, depois de anos no PSB. A mudança na presidência do diretório municipal favoreceu o deputado.

Com a vitória no primeiro turno, muita gente decidiu apoiar Tarcísio na reta final da eleição. Um deles foi propriamente o deputado estadual Vinicius Camarinha. Rodrigo Garcia, derrotado, também apoiou Tarcísio de Freitas. Muitos prefeitos perceberam a movimentação e debandaram para o lado do atual governador.

Ao Marília Notícia, o deputado estadual Vinicius Camarinha diz acreditar que a cidade não será deixada de lado. Após o primeiro turno, o parlamentar chegou a gravar um vídeo ao lado de Tarcísio, no qual declarou seu apoio no segundo turno das eleições.

“A expectativa para obras do novo governo, na nossa região, é positiva. Construções, como do novo Hospital da Criança e da Mulher, vão continuar. Manteremos um diálogo aberto para que a nossa região continue fazendo parte dos investimentos no Estado de São Paulo”, afirma Vinicius.

O fato de Marília ter dobrado a representação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) é importante para o desenvolvimento de pautas e apelo junto ao governo estadual. Antes era apenas Vinicius Camarinha quem figurava no quadro do Legislativo. Agora Dani Alonso também compõe as cadeiras da Casa. Ambos disputaram a preferência do eleitorado mariliense e não querem perder o espaço conquistado. Uma disputa para ver quem vai trazer mais recursos para o município pode ajudar a cidade.

Talvez agora, com mais representantes na Alesp, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), finalmente venha para Marília. Existem outras demandas que sempre são debatidas em anos eleitorais e que devem retomar para a pauta, como uma base do Helicóptero Águia da Polícia Militar na cidade.

Quem também espera uma atenção maior para Marília é a vereadora Vânia Ramos (Republicanos), que compartilha o mesmo partido que o governador. Ela conta que terá uma agenda na Alesp no início de fevereiro, na tentativa também de um encontro com Tarcísio para traçar metas de trabalho.

“Minha expectativa é muito boa. Acredito que terá um governo de muito sucesso e Marília fará parte disso. Acreditamos que será melhor que o PSDB no seu protagonismo”, afirma a vereadora.

O Marília Notícia tentou contato com a deputada estadual Dani Alonso, para ouvir seu panorama sobre o início de governo de Tarcísio de Freitas e as perspectivas para Marília, mas não teve retorno até o fechamento desta reportagem.

Alcyr Netto

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