Polícia

Bolívia aguarda extradição de João Pinheiro, preso na Espanha

João Pinheiro é apontado pelo Ministério Público da Bolívia como autor de estelionato (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

Detido em Madri, na Espanha, desde 27 de maio, após desembarcar de um voo vindo de Guarulhos, o empresário brasileiro João Pinheiro pode ser extraditado a qualquer momento para a Bolívia. O nome dele constava na lista vermelha da Interpol — como antecipado pelo Marília Notícia — com ordem de prisão imediata, caso deixasse o Brasil.

A expectativa entre os produtores bolivianos é grande. Eles aguardam que a Justiça espanhola aceite o pedido de extradição nos próximos dias.

Segundo o jornal boliviano El País, a ordem de prisão contra Pinheiro foi motivada por uma fraude milionária envolvendo produtores rurais do país vizinho. A notificação da Interpol era de acesso restrito às forças policiais.

Em entrevista ao jornalista Leonel Suarez, do El País, Rodolfo Garzón — presidente da Federación de Cañeros del Sur (Fecasur), de Bermejo — afirmou que, após a prisão, a Bolívia teve 45 dias para formalizar o pedido de extradição.

“Agora, por sua parte, o país que o tem detido também leva o mesmo tempo. Quer dizer, outro prazo similar ao que nos deram. Seguimos com todas as diligências e agora aguardamos para ver o que a Justiça de Madri decide. Creio que já está correndo a última semana para uma resposta”, disse Garzón.

O Ministério Público da Bolívia acompanha o caso diariamente, com o objetivo de garantir os direitos dos produtores, que se dizem “esperançosos” por uma decisão favorável.

PREJUÍZO

A fraude atribuída a João Pinheiro teria lesado diretamente mais de 80 grupos familiares de produtores de cana-de-açúcar. Considerando uma média de cinco pessoas por família, o total de vítimas pode ultrapassar 400.

O prejuízo estimado ultrapassa US$ 1 milhão — sendo US$ 700 mil enviados ao exterior para compra de equipamentos e cerca de US$ 300 mil investidos na Bolívia em infraestrutura para um novo engenho. Os gastos incluem escavação de poços, aquisição e adequação de terrenos, estudos ambientais, econômicos e de solo em Bermejo, além da constituição de uma sociedade anônima.

Apesar do golpe, os produtores continuam ativos na lavoura e já definiram que, se o dinheiro for recuperado, o valor será reinvestido, possivelmente na construção de uma destilaria.

“Graças a Deus todas essas famílias seguem ativas com a produção da cana. Houve uma decisão de que, se recuperarmos esse dinheiro, vamos usar a soma para encarar mais uma destilaria. Agora, se o governo, ou quem quer que seja, fizer uma aliança estratégica, ou seja, uma parceria público-privada, poderíamos instalar uma planta alcooleira, inicialmente apenas de álcool”, explicou Garzón.

TENTATIVAS DE ACORDO

Garzón revelou que houve tentativas de contato por parte da defesa de João Pinheiro, incluindo visitas de advogados à cidade de Bermejo e conversas de representante do empresário com o advogado dos produtores.

“Este empresário deslocou advogados de La Paz, que nos visitaram aqui em Bermejo. Depois, a esposa, creio que também fez contato com o nosso advogado. Eles indicavam que estavam dispostos a devolver o dinheiro e queriam garantias de que aceitaríamos a devolução, mas jamais o fizeram. Seguramente essa gente está vendo o que acontece até que se cumpram os prazos jurídicos e, então, tomarão alguma decisão”, disse Garzón.

OUTRO LADO

O Marília Notícia procurou a defesa de João Pinheiro, que não se manifestou. O espaço segue aberto e o texto será atualizado caso haja qualquer posicionamento.

Alcyr Netto

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