A Câmara Municipal de Marília realizou uma audiência pública para discutir a situação da epilepsia no município e apresentar o “Projeto Conviver”, iniciativa que propõe a criação de um programa municipal de atenção a pacientes com a doença. O encontro ocorreu por iniciativa do vereador Professor Galdino da Unimar (Cidadania), por meio do requerimento 120/2026, e reuniu especialistas, pacientes e representantes do poder público.
Durante o evento, foi apresentado o projeto idealizado pelo médico neurologista Vinicius Sales, que prevê a criação de um Centro de Referência em Epilepsia em parceria com o Hospital Beneficente Unimar (HBU) e a Universidade de Marília (Unimar). A proposta busca estruturar o atendimento a pacientes com epilepsia e condições neurológicas associadas.
Segundo Vinicius Sales, Marília possui entre 2 mil e 2,5 mil pessoas com epilepsia aguardando atendimento. “A epilepsia é uma das doenças neurológicas crônicas mais comuns no mundo, atingindo cerca de 1% a 2% da população. O que mais chama a atenção não é apenas esse número isolado, é o fato de que hoje essas pessoas não estão organizadas dentro do sistema de saúde”, afirmou.
De acordo com o especialista, o projeto pretende organizar o atendimento por meio de cinco pilares: identificação, estratificação, linha de cuidado, reabilitação e educação. “Antes de cuidar, precisamos saber de quem estamos falando. Política pública não pode ser baseada em estimativa, precisa ser baseada em realidade”, explicou.
A audiência contou com a participação dos neurologistas João Marcus Alves, do HBU, e Edson Coloto, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Eles destacaram a importância do diagnóstico adequado e do acesso a tratamento especializado. “Cerca de 70% dos pacientes podem ficar livres de crises somente com a medicação adequada e uma equipe multidisciplinar”, disse Coloto.
O médico João Marcus também relatou sua experiência pessoal com a doença. “Quando eu falo sobre esse estigma e sobre a doença, eu não falo apenas como médico. Eu já estive também do outro lado”, afirmou.
Idealizador da proposta que inspirou o projeto, o paciente João Ricardo Alves Paixão relatou dificuldades enfrentadas ao longo da vida. “Sofri um procedimento ao nascer que causou um edema no meu cérebro e atrasou meu aprendizado, só consegui aprender a ler e a escrever aos 18 anos. […] enfrento diariamente o preconceito, porque as empresas não contratam quem é portador da doença”, disse.
A superintendente do HBU, Márcia Mesquita Serva Reis, afirmou que a instituição apoiará a iniciativa. “O mais difícil é ter gente para cuidar de gente, e Marília é uma cidade diferenciada por capitanear essas potências”, declarou.
O vereador Professor Galdino destacou que a audiência marca o início da proposta. “A audiência pública deu o start para a criação de um centro de referência, o Projeto Conviver. Isso mostra que política só vale a pena se for realmente gente cuidando de gente”, afirmou.
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