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Apreensão de cocaína nos portos tem o maior volume em dez anos

As apreensões de cocaína em 2018 nos maiores portos do País já são as mais volumosas dos últimos dez anos. Do início de janeiro até anteontem, a Polícia Federal e a Receita Federal flagraram, em média, 66 quilos da droga por dia. O material é achado escondido em contêineres ou nos navios, a maioria com destino à Europa – pelo menos 28 operações somaram 13,8 toneladas retiradas de circulação. Durante todo o ano passado, foram 17,6 toneladas de droga apreendidas nos portos – média de 49 quilos por dia.

Especialistas apontam que o aumento nas apreensões, que começou a ser notado a partir de 2016, indica atuação mais qualificada das forças policiais, com trabalho de inteligência, mas também que as facções criminosas, em especial o Primeiro Comando da Capital (PCC), têm atuado com mais intensidade para escoar o produto ilegal e manter seu ritmo de crescimento.

Das 13,8 toneladas apreendidas até esta semana, 10,1 toneladas foram encontradas no Porto de Santos, o maior do País. Apesar da concentração em Santos, a localização de cocaína nos portos também cresceu em Paranaguá (Paraná) e no Rio. No porto paranaense, as 2,1 toneladas encontradas neste ano são a maior quantidade já apreendida no local na década. O mesmo vale para a 1,5 tonelada apreendida no porto fluminense.

Ao longo dos anos, as operações no porto paulista têm encontrado os maiores volumes da droga. Enquanto em 2015 os órgãos de segurança haviam flagrado 1,4 tonelada, em 2016 o número passou para 10,6 toneladas. O crescimento foi confirmado no ano passado: 12,1 toneladas ao longo dos 12 meses.

Os terminais do litoral paulista movimentam anualmente cerca de 110 milhões de toneladas de mercadorias. O grande volume de trânsito é apontado como um dos fatores para o Porto de Santos ser o escolhido por quadrilhas para transportar drogas, com o objetivo de ficar menos sujeitas a fiscalização.

“É impossível fiscalizar todos os contêineres. O que fazemos é montar um perfil de carga suspeita com base em informações do exportador, do destino, além de usar imagens de scanner que podem indicar a presença da droga”, disse o auditor fiscal Oswaldo Souza Dias Júnior, chefe da Equipe de Repressão (Eqrep) da Alfândega de Santos.

Fiscal. Ontem, uma equipe da Receita Federal inspecionou dois contêineres, com base em alertas feitos por analistas do scanner O raio X mostrava um material com densidade diferente no meio da carga. Em um ambiente monitorado por dezenas de câmeras, um dos funcionários do terminal rompeu o lacre e abriu uma das portas para que Dixie, uma pastora alemã de 6 anos, iniciasse a inspeção.

Anteontem, ela já havia se sentado em frente a uma das grandes caixas de metal, sinalizando que havia farejado droga. Ao desembarcar a carga de soja, os inspetores constataram que 13 sacas de 50 quilos não carregavam o produto, mas sim cocaína.

Nos poucos minutos que Dixie ficou na frente dos contêineres ontem, não houve nenhum indicativo. Ainda assim, metade da carga de cascas de limão desidratadas exportadas pela Argentina foi retirada para checagem. Com um equipamento de metal, a funcionária da Receita furou várias sacas e confirmou que se tratava do produto indicado na embalagem. Reparou o furo com uma fita e liberou a carga para a exportação.

A droga tem sido destinada, sobretudo, para portos europeus. Neste ano, cocaína foi encontrada em seis oportunidades em contêineres que fariam baldeação ou tinham como destino final o porto da Antuérpia, na Bélgica. A recorrência de casos já fez com que policiais federais belgas viessem a São Paulo, em abril, para discutir estratégias de combate ao tráfico com as autoridades brasileiras.

Delegado da Polícia Federal com cinco anos de atuação no Porto de Santos, Ciro Tadeu Morais disse ao [ ]Estado[/ ] que o local é “um funil da droga produzida nos países andinos”. Para ele, é “evidente” a grande participação de membros do PCC nos crimes cometidos no porto paulista. O delegado destaca a logística oferecida pelo grupo para tentar facilitar o cometimento do crime.

“O estivador que vai lá e auxilia na inserção da droga não necessariamente é um membro do PCC, mas a pessoa que o cooptou sim. A facção fornece a estrutura para que a droga entre fácil no País e saia para a Europa”, disse.

A Receita Federal estima que em 95% dos casos a técnica usada pelos traficantes seja a chamada “rip-off loading”. Sem conhecimento do proprietário, a carga é desviada para a “contaminação”, como denominam os fiscais, momento no qual o lacre é rompido ou a estrutura do contêiner é alterada para a inserção da droga.

Agência Estado

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