Aos poucos, cada um dos donos de iPhones do mundo irá, lentamente, atualizar seu aparelho para o novo iOS 14.5. E esta mudança ligeira será uma declaração de guerra da Apple contra duas outras gigantes do Vale: o Google e o Facebook. O Vale do Silício anda faz um tempo sem inovar, sem provocar grandes revoluções — a última relevante, diga-se, foi o próprio iPhone, em 2007. Mas, não bastasse a guerra com governos de EUA e Europa por abuso de monopólio, há também esta outra guerra em curso. Interna. No centro, a publicidade.
O que faz a diferença é a geração de cada empresa. A Apple pertence à segunda geração de empresas de tecnologia nascidas no Vale. Veio no rastro da primeira que tem como marco a Intel. Com o surgimento do microchip, computadores pessoais se tornaram possíveis e a indústria que conhecemos hoje nasceu. A inovação que lançou ao mundo a terceira geração é a internet — é daí que vieram Google e Facebook.
A distinção entre uma e outra geração é a natureza do negócio. A Apple, como outras empresas nascidas nos anos 1970 e 80, vende coisas. Podem ser coisas físicas — o hardware de computadores, celulares — como podem ser coisas de natureza lógica — software. Os modelos são vários. A venda, a assinatura, não importa. Mas algo está sendo oferecido em troca de dinheiro. Com Google e Facebook, dos anos 1990 e 2000, o ramo é outro. Seu produto é gratuito. A busca, o site de vídeos, a rede social, o app de mensagens. Suas fortunas são construídas com propaganda.
Ou, como se diz ali nas ruazinhas arborizadas e pouco movimentadas do Vale do Silício, se não paga por algo é porque o produto é você mesmo.
A propaganda de Google e Facebook foi uma hecatombe no mercado publicitário, sugou o dinheiro que antes era pulverizado em todo o mundo, e firmou monopólio de tamanho global ao longo dos últimos quinze anos. É uma propaganda baseada num truque tecnológico: estas empresas acompanham cada um de nossos passos.
A cada app que abrirmos no iPhone com o novo sistema, porém, seremos imediatamente questionados: este aplicativo, o celular dirá, acompanha seus passos não só nele como também em outros apps e nos sites que você visita. Quer deixar? Nas contas internas do Facebook, 80% dirá que não.
O Facebook não gostou mas não tem o que fazer. Mas atuou. Diz que a Apple é hipócrita pois forçará muitos apps a migrar para um modelo de assinatura — e a loja do iPhone pega um percentual disso aí. O Face também argumenta que serão pequenos negócios, que tiveram acesso a publicidade barata através do digital, os maiores perdedores.
O Google preferiu não se meter na briga. Até porque é dono do Android e já tem gente cobrando uma postura similar. Ali há conflito de interesses.
Mas a verdade é que a Apple não tem o que perder, mesmo que o Face tenha razão em suas acusações. Para a empresa fundada por Steve Jobs os dados de seus consumidores, cada detalhe do seu comportamento, vale nada. Ela vive mesmo é de vender celulares nos quais as pessoas confiem. Isso vale muito mais do que uns percentis de assinaturas.
E o que está em jogo é o futuro. Com o 5G e a internet das coisas a caminho nos próximos poucos anos, o risco é de termos cidades empesteadas por câmeras e sensores vigiando cada um dos nossos passos, transformando-os em dados de comportamento para fazer surgir propaganda eficiente. Propaganda que sabe tudo sobre nós, que prevê nossos desejos mais íntimos, que sabe o que fizemos até quando estamos sozinhos, de madrugada, perante o monitor ou numa esquina perdida.
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