Coragem e força. Essas eram as palavras que o cozinheiro e pescador João Leite, de 63 anos, gritava para os cinco companheiros. O grupo nadou por mais de cinco horas para sobreviver ao naufrágio da embarcação Ekos Noronha, que partiu na terça-feira, 12, do Porto do Recife rumo ao arquipélago de Fernando de Noronha. Todos sobreviveram ao acidente.
O barco transportava material de construção e mantimentos. Os tripulantes foram surpreendidos por uma “virada” do clima, que provocou fortes ventos e ondas no mar. Com coletes salva-vidas, eles nadaram 13 quilômetros até o continente, onde foram socorridos por moradores da orla de Olinda, na Grande Recife. Era a primeira viagem do Ekos nesta rota.
“O barco foi virando, enchendo de água e afundou completamente em poucos minutos. Tínhamos um bote salva-vidas, mas não deu tempo de soltar o equipamento. Graças a Deus conseguimos pegar os coletes e as boias, que tinham sinalizadores luminosos acoplados”, explicou Sílvio Santos, de 44 anos, um dos tripulantes.
Ele chegou a telefonar de seu celular para a mulher minutos antes de se atirar no oceano. “Quando vi que estávamos afundando e que não havia mais o que fazer a não ser pular na água, liguei para a minha esposa e avisei o que estava acontecendo. Nem consegui ouvir direito o que ela falou porque o celular mergulhou no mar e parou de funcionar”, conta.
Com outros dois naufrágios “no currículo”, João Leite contou que a experiência e a união dos companheiros de viagem foram essenciais para sobreviver. “Nem a gente sabe explicar. O mar cobriu a popa do navio e não teve condições de continuar. Foi descendo devagarinho e, em cinco minutos, já estava no fundo. Caímos na água com colete, com boia circular e nos agarramos aos materiais para chegar até a costa.”
“No primeiro momento, foi o susto, mas logo depois todo mundo entendeu que só com calma e coragem a gente conseguiria. Por isso eu repetia essas palavras (coragem e fé) o tempo todo”, relatou.
Socorro
Moradores de um condomínio de Olinda chamaram os bombeiros. “Estavam muito cansados, mas incrivelmente calmos e sem ferimentos graves”, comentou Eduardo Lins, um dos primeiros socorristas do grupo. Dos seis tripulantes, só dois precisaram ser levados para o Hospital Naval do Recife.
Nesta quarta-feira, 13, o dono do barco, o empresário Paulo Godoy, disse à imprensa local que o Ekos havia passado recentemente por uma adequação para fazer este tipo de transporte. O proprietário disse que o equipamento estava regulamentado e com todas as licenças em dia, o que foi confirmado pela Capitania dos Portos. No momento da partida, o barco levava 70 toneladas – quantitativo inferior ao limite máximo, de cem toneladas.
O trajeto entre a capital pernambucana e Fernando de Noronha é de aproximadamente 300 milhas náuticas, o que corresponde a 545 quilômetros. O tempo de viagem previsto era de 72 horas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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