Marília

Apenas um terço dos partos feitos em Marília são normais

A cada três partos realizados em Marília em 2017, apenas um foi vaginal – ou seja, normal. Outros dois nascimentos se deram por meio cirúrgico com as cesarianas.

A situação contraria as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que coloca como 15% o número indicado de cesáreas.

Dados preliminares do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS) sobre o ano passado divulgados recentemente mostram que de 4.473 partos realizados em Marília, 2.966 foram por cesárea (66,3% dos casos).

Do total de cesarianas realizadas em 2017 em Marília, 20% delas aconteceu antes das 37 semanas de gestação.

Marília tem índices de cesárea ainda maiores que o nacional. No Brasil, os dados de 2016 mostram que 55,6% dos partos no País foram cesáreas, a segunda maior taxa do mundo, superada apenas pela da República Dominicana, com 56%.

De acordo com dados de 2016, a OMS aponta o Brasil como um dos líderes em cesáreas no mundo e alerta que o aumento nas práticas em partos se transformou em uma “epidemia”.

As cesarianas representam 40% dos partos realizados na rede pública de saúde. Já na rede particular, chegam a 84% dos partos, de acordo com dados da Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A entidade estima que a taxa média mundial de cesáreas seria de 18,6% dos partos. Em 1990, esse índice era de apenas 6%.

Em média, a taxa de cesáreas hoje na Europa é de 25%, contra 15% há 20 anos. Já nos EUA, a taxa é de 32,8%.

Vantagens

O parto normal deve ser sempre a primeira opção por trazer benefícios para a mulher e o bebê, de acordo com o  Unicef.

O parto vaginal favorece uma recuperação mais rápida e sem dores após o parto, permite a interação plena com o bebê, desde o primeiro minuto do seu nascimento, favorecendo a criação do vínculo.

Outra vantagem é a redução da probabilidade de repasse de drogas para o bebê, pois, geralmente, a mulher não recebe medicamentos no parto normal. Elas também não precisam ser submetida a procedimentos desnecessários e não terá cicatrizes.

Ao passar pelo canal vaginal, o tórax do bebê é comprimido, favorecendo a expulsão do líquido amniótico dos pulmões. É acelerada a maturidade pulmonar e previne problemas respiratórios.

Os nascimentos sem intervenção cirúrgica melhoram o sistema neurológico, fortalecem o sistema imunológico e o bebê nasce mais ativo com mais chances de se alimentar exclusivamente do leite materno sob livre demanda.

Além disso, ao passar pelo canal vaginal, a flora bacteriana da mãe passa para o bebê, ajudando-o a formar sua própria flora intestinal (microbiota).

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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