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Ansiedade: quando ela protege e quando começa a adoecer

Dra. Fernanda Simines Nascimento é médica psiquiatra (Foto: Divulgação)

Sentir ansiedade é humano. Antes de uma prova, de uma decisão importante ou de uma conversa difícil, o corpo entra em estado de alerta. O coração acelera, o pensamento fica mais atento, os sentidos despertam.
Essa é a ansiedade normal — e, em muitos momentos, ela é necessária.

Na psiquiatria, a ansiedade é compreendida como uma resposta do organismo diante de ameaça ou antecipação de perigo. O problema surge quando essa resposta deixa de ser proporcional, passageira e funcional.

De acordo com o CID-10, os transtornos de ansiedade fazem parte de um grupo específico de condições psiquiátricas, como o transtorno de ansiedade generalizada, os transtornos fóbicos, o transtorno do pânico e o transtorno misto ansioso-depressivo. Em comum, eles compartilham algo importante: a ansiedade deixa de proteger e passa a limitar a vida.

Mas como distinguir a ansiedade normal da patológica?

A ansiedade considerada saudável:
• surge diante de uma situação concreta
• tem início, meio e fim
• melhora quando o evento passa
• não impede a pessoa de viver, trabalhar ou se relacionar

Já a ansiedade patológica costuma:
• aparecer sem um motivo claro ou ser desproporcional ao estímulo
• persistir por semanas ou meses
• vir acompanhada de sintomas físicos intensos (falta de ar, taquicardia, tremores, tensão muscular, desconforto gastrointestinal)
• interferir no sono, no trabalho, nos relacionamentos e na qualidade de vida

Muitas pessoas convivem com ansiedade patológica acreditando que isso faz parte da personalidade. Dizem que sempre foram “nervosas”, “agitadas” ou “preocupadas demais”. Outras acham que é apenas estresse ou fraqueza emocional. Não é.

Ansiedade em excesso não é traço de caráter — é um estado de sofrimento psíquico que pode e deve ser cuidado.

Segundo os critérios clínicos, o momento de procurar ajuda chega quando a ansiedade:
• passa a ser constante
• gera sofrimento significativo
• provoca esquivas (a pessoa deixa de sair, viajar, dirigir, trabalhar)
• causa sintomas físicos frequentes
• leva ao uso excessivo de álcool ou medicamentos sem orientação

O tratamento da ansiedade não é único nem automático. Pode envolver psicoterapia, mudanças no estilo de vida e, em alguns casos, medicação — sempre com avaliação individualizada. O objetivo não é eliminar a ansiedade, mas devolvê-la ao seu papel original: sinalizar, e não dominar.

Falar sobre ansiedade com clareza é uma forma de cuidado coletivo. Quanto mais entendemos o que é normal e o que é patológico, menos sofrimento passa despercebido — e menos pessoas adoecem em silêncio.

***

Dra. Fernanda Simines Nascimento
Médica Psiquiatra – CRM/SP 198541| RQE 124287

Fernanda Simines Nascimento

Dra. Fernanda Simines Nascimento formou-se pela Faculdade de Medicina de Marília (Famema), onde também concluiu sua residência médica em psiquiatria.

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