Marília

Acne severa impacta a saúde da pele, gera constrangimentos e pode acarretar empecilhos

Na realidade dos adolescentes, a acne é uma companheira recorrente, ainda assim não muito desejada. As marcas que ficam no rosto podem ser empecilhos na vida dos jovens e, por vezes, dos adultos. Apesar de ser comum, a acne é uma doença de pele e conviver com ela pode trazer dificuldades.

Empreendedor em Marília, Alex Ishii conta que a acne chegou na adolescência, com 15 anos, período em que achou certa naturalidade. Hoje aos 40, ele ainda carrega na pele algumas marcas e parte dos incômodos ocasionados pela doença, e se arrepende de não ter procurado tratamento antes.

Mesmo não se mostrando em grandes quantidades, as inflamações eram severas e dolorosas, concentradas na região das maçãs do rosto. Na época, Alex e a família não buscaram solução. “Acho que meu pai olhava e achava normal, ‘não tem muito o que fazer, não tem muito como tratar’”, lembra.

Apesar de sentir os incômodos, a naturalidade de um adolescente ter acne dificultou a aceitação dela como uma doença – potencialmente prejudicial à saúde da pele, com impacto significativo no quesito mental e autoestima, se não considerada como algo além da estética.

Dos 15 até os 25 anos, Alex conta que enfrentou as inflamações, sofreu calado e passou uma vida com problemas de aceitação.

Hoje, mesmo com o “prazo” da acne tendo acabado, ainda enxerga no rosto algumas cicatrizes da época. Como não foi tratada antes, as espinhas deixaram marcas que estão sendo difíceis de apagar. Somente depois de alguns procedimentos estéticos, Alex afirma sentir a diferença e estar mais satisfeito com o próprio rosto.

A acne é uma doença de pele (dermatose), que é causada pela inflamação dos folículos e das glândulas da pele. As espinhas que aparecem são comuns em adolescentes devido às alterações hormonais da idade, mas não devem ser encaradas com normalidade – principalmente – quando em excesso.

Para a dermatologista mariliense Mariam Auada Souto, apesar de – na maioria dos casos – a acne ser tratada apenas como uma complicação estética, isso é um problema.

A especialista afirma a necessidade do enfrentamento da acne como uma dermatose que, há mais de 40 anos, tem tratamento. “Nós muitas vezes somos tolerantes e não consideramos a acne como uma doença da pele que deve ser tratada”, afirma.

A Isotretinoína, conhecida pela marca Roacutan, é uma substância química que se encontra no mercado farmacêutico desde 1979. Mesmo após comprovação de eficácia para o tratamento da acne e inúmeros estudos acerca da segurança do uso, a medicação ainda é vista como “perigosa” por muitos.

Mesmo com os estigmas associados ao remédio, a dermatologista afirma receitar o produto com frequência e reafirma sua segurança e eficácia na droga. “É uma medicação de 79, já é estudada há muito tempo”, classifica.

Mesmo com a aparente fácil solução, não apenas a saúde física de quem tem acne é afetada. O psicológico pode ficar extremamente abalado pelas marcas que ficam visíveis na pele. Deste modo, apesar de ser tratada como uma dermatose, a estética é um fator que pode prejudicar psicologicamente quem convive com a doença.

A psicóloga de Marília Flavia Tirado Moris classifica a acne como “um elemento a mais para lidar, uma queixa de desconforto com a aparência.”

Mesmo não recebendo pacientes em seu consultório cujo problema principal é a acne, Flavia afirma como a insatisfação com “aquilo que se vê no espelho” pode impactar a saúde mental e levar, inclusive, ao isolamento social.

“Apoio muito o tratamento da acne. Como é uma característica visível a olho nu dificilmente vai deixar de trazer uma preocupação estética para a pessoa”, conclui a psicóloga.

Isabela Pitta

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