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Em terra de Enem descobre-se o pouco conhecimento que se tem

Geral
23 de maio de 2017

Na última semana a Comissão de Educação do Senado Federal realizou audiência pública e recebeu a presença do Ministro da Educação, Mendonça Filho, que trouxe importantes informações a respeito da situação da Educação de nosso País.

Algumas informações já foram motivo de análise por mim nesta coluna, entre elas a deficiência dos alunos no que diz respeito à aquisição de proficiências em matemática e português, bem como à estagnação do Ideb.

Outro ponto importante foi a informação de que 60% de crianças que chegam ao 3º ano do ensino básico ainda estão na condição analfabetos. Tratamos do assunto que é correlacionado à essa questão, qual seja, a progressão continuada, que não repõe ao final do ano letivo o conteúdo que deixou de ser assimilado pelo aluno e mesmo assim ele progride para o próximo ano, o que causa déficit acumulado de aprendizagem, até desembocar no ensino superior com esse jovem na condição de analfabeto funcional.

Para mim o principal tema tratado foi o FIES, que deixou de ser ofertado no início do segundo mandato Dilma, apesar de ela tê-lo usado durante sua campanha para alcançar a reeleição para, logo em seguida, mitigá-lo a poucos.

Mas, estamos em mês de inscrições abertas para o ENEM e analisando-se os resultados da última avaliação descobrimos como estamos indo pessimamente no quesito ensino-aprendizagem.

Veja o quadro abaixo:

Foram 8.630.306 inscritos. Desses, somente 77 atingiram nota máxima na redação (0,0008922%), ou seja, quase ninguém. A nota média ficou entre 501 e 600 do total de 1.000 pontos possíveis. 291.806 inscritos obtiveram nota zero ou tiveram anuladas sua redação (3,38%). Apenas a título de conhecimento, o tema foi: “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”.

Quando o resultado foi anunciado, a Presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) à época, Maria Inês Fini, disse: “ O desempenho em todas as áreas está estagnado, não conseguimos que os estudantes aprendam mais”.

Os dois governantes Petistas triplicaram os recursos na área da educação durante seus mandatos, entretanto, os números continuaram os mesmos, não houve qualquer avanço significativo na área e mesmo com esse incremento orçamentário, o ensino em tempo integral não saiu do papel.

A mudança de rumo em nossa educação é uma exigência para que o País possa vislumbrar no horizonte uma melhora na condição.

O formato que hoje está posto nos dá a certeza de que estamos caminhando para um desastre cultural protagonizado por nossas crianças e jovens. Nossa educação é reprodutora de um modelo que está há muito e muito tempo superado.

Estava numa discussão sobre a escola em tempo integral, dizendo aos ouvintes que os países que deram certo implementaram o ensino em tempo integral em toda sua rede e que não é possível uma escola de sucesso sem isso.

Ouvi um jovem aluno do ensino superior de uma universidade pública defender o modelo que está posto e criticar a questão política que envolve o tema. Ele usou uma frase que comumente ouvimos em situações das mais diversas e que discordo plenamente.

Ele disse: “Os últimos serão os primeiros”. Disse a ele que esse pensamento estava muito equivocado e que já estava provado que “os últimos sempre foram massacrados de alguma forma pela humanidade”.

Na matéria educação, estar à frente implica em questões de grande magnitude, tais como, o desenvolvimento econômico, a inclusão social, o fim da violência, etc.

Espero realmente, que o País encontre o caminho que nos leva à libertação, que a meu ver somente é possível através de educação.

Mudanças importantes de atitude estão ocorrendo entre nossa população, haja vista o movimento natural nas redes sociais pelo fim do foro privilegiado, pela prisão dos notórios corruptos listados pela Justiça, entre outras coisas.

Nos tornaremos um País melhor quando a causa da Educação for tratada como prioridade.

Para o Brasil ser “Um País de Todos”, como dizia o lema do governo Petista, todos têm que ter educação de qualidade, não só poucos privilegiados com acesso às melhores escolas.