Polícia

“Você está gostosa”, teria dito médico antes de forçar beijo, diz nova denúncia

DDM de Garça recebeu primeiro registro formal de denúncia contra médico psiquiatra (Foto: Arquivo/MN)

Após uma série de denúncias em Marília, a cidade de Garça confirmou oficialmente o primeiro boletim de ocorrência registrado contra um médico psiquiatra investigado por supostos crimes sexuais praticados durante atendimentos clínicos. A nova queixa foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Garça e representa o primeiro caso formalizado no município, embora, segundo a polícia, já existam relatos de outras possíveis vítimas.

Conforme apurado pelo Marília Notícia, uma mulher de 41 anos procurou a DDM de Garça após reconhecer o médico em uma reportagem sobre as investigações em Marília. Ela relatou que o suposto abuso ocorreu no final do ano passado, durante uma consulta no Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

Segundo o depoimento, ao procurar o consultório para solicitar um atestado, o psiquiatra teria feito comentários inapropriados sobre sua aparência, como “você está bonita, está gostosa” — e, em seguida, a segurado contra a mesa, tentando beijá-la. A paciente relatou ainda que o médico passou a mão por baixo de sua saia e mexeu em seu cinto. Ela afirmou ter conseguido se soltar e corrido até o carro para deixar o local.

Ainda segundo o relato, na consulta seguinte, o psiquiatra teria dito: “queria colocar minha boca entre suas pernas, mas você saiu correndo”. mulher afirmou que o suposto episódio agravou seu estado emocional, resultando em crises, aumento na dosagem de medicamentos e um surto no ambiente de trabalho.

Em depoimento, a mulher disse que, apesar do trauma e do receio, continuou comparecendo às consultas por depender da renovação de receitas médicas, evitando, no entanto, qualquer contato físico com o psiquiatra.

A decisão de denunciar veio após o afastamento do médico do Caps e a repercussão dos relatos de outras mulheres. “Espero que outras vítimas também encontrem coragem para se manifestar”, declarou à polícia.

A DDM informou que o caso será apurado por meio de inquérito policial em Garça, por ter sido o local da suposta violência, mas que haverá cooperação entre as equipes de Garça e Marília para identificar o possível padrão de conduta do profissional, já que os relatos apresentam fortes semelhanças.

O médico mantém atendimento em consultório particular na zona oeste de Marília, trabalha com convênios e também presta serviços à rede pública de saúde da região. Ele é alvo de diversas denúncias, que começaram a se acumular a partir da primeira reportagem publicada com exclusividade pelo Marília Notícia.

A maior parte das mulheres relata casos de importunação sexual, envolvendo toques não consentidos e constrangimentos durante os atendimentos. Uma das supostas vítimas, porém, afirma ter sido estuprada, com conjunção carnal sem consentimento, durante uma consulta.

Diante da repercussão, a Prefeitura de Garça solicitou o afastamento preventivo do médico, que atuava no Caps do município. A Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB), responsável pela gestão de parte da Saúde na cidade, inicialmente informou aguardar parecer jurídico. Após análise do Departamento Jurídico, decidiu rescindir o contrato com o profissional.

O médico também foi afastado de suas funções na Unimed Marília. Em nota enviada ao Marília Notícia, a cooperativa afirmou ter adotado providências imediatas assim que soube das acusações. “O profissional foi afastado de suas atividades na cooperativa até que o processo seja devidamente concluído pelas autoridades competentes”, declarou.

A defesa do psiquiatra nega todas as acusações. Em manifestações anteriores ao MN, ele disse não entender os motivos pelos quais seu nome foi mencionado nos relatos.

Nesta sexta-feira (17), ao ser novamente procurado, o advogado que representa o médico afirmou que ele ainda não foi formalmente notificado e que só se pronunciará nos autos do inquérito.

O profissional ainda não foi ouvido, mas deve ser convocado nos próximos dias para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil reforçou que a DDM de Garça permanece à disposição de outras possíveis vítimas que desejem registrar ocorrência.

Alcyr Netto

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