Marília e região

Viagens dos vereadores de Marília somam mais de duas voltas ao mundo

Maioria dos vereadores percorreu mais de 94 mil quilômetros em viagens oficiais entre fevereiro e outubro (Foto: Divulgação)

A soma das viagens oficiais realizadas pela maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Marília, apenas entre fevereiro e outubro de 2025, é suficiente para dar mais de duas voltas completas ao redor do planeta.

Levantamento feito pelo Marília Notícia, com base nos relatórios públicos de Controle Interno da Câmara Municipal, aponta que, no período, os parlamentares percorreram aproximadamente 94,8 mil quilômetros — o equivalente a 2,3 voltas ao mundo, considerando a circunferência terrestre de cerca de 40 mil quilômetros.

Os dados abrangem os pagamentos de adiantamentos de diárias registrados entre março e outubro — sem registros de viagens em fevereiro e ainda sem divulgação dos números de novembro e dezembro até a data desta publicação.

Os valores dizem respeito aos gabinetes dos vereadores e incluem despesas de assessores que acompanharam as viagens. A atual legislatura (2025–2028), que está no primeiro ano de mandato, é composta por 17 vereadores.

Apenas três não tiveram qualquer custo com deslocamentos no período: Chico do Açougue (Avante), Luiz Eduardo Nardi (Cidadania) e Marcos Custódio (PSDB). Outros 14 parlamentares solicitaram pagamento de diárias durante sessões ordinárias da Câmara. Todos os pedidos foram aprovados por unanimidade em plenário.

Marcos Custódio foi um dos três vereadores que não gastou verba com viagens em 2025 (Foto: Will Rocha/Câmara de Marília)

Valores de diárias

De acordo com a tabela em vigor desde 2022, as diárias variam de R$ 300 para viagens de até 200 quilômetros a R$ 850 para deslocamentos a Brasília ou outras capitais, com valores intermediários para São Paulo e viagens mais longas pelo interior.

A menor diária individual registrada foi de R$ 44,80, paga à vereadora Fabiana Camarinha (Podemos) em deslocamento a Bauru. Já a maior despesa foi coletiva, de R$ 17.087,94, referente a uma viagem aérea dos vereadores Thiaguinho (PP), Elio Ajeka (PP) e Wellington Corredato Batata (PP) a Brasília.

Cerca de 99% dos deslocamentos ocorreram por via terrestre, com motoristas da própria Câmara. Entre os destinos mais frequentes estão Brasília e a capital paulista, além de cidades do interior como Bauru, Ribeirão Preto, Avaré, Ourinhos, Garça, Pirajuí e Presidente Prudente.

Assembleia Legislativa de São Paulo foi o destino mais visitado pelos vereadores de Marília em 2025 (Foto: Divulgação)

Vereadores que mais viajam

Na soma individual, a vereadora Rossana Camacho (PSD) lidera em quilometragem, com cerca de 14,8 mil quilômetros percorridos. Em seguida aparecem Vania Ramos (Republicanos), com 13 mil quilômetros, e Professor Galdino da Unimar (Cidadania), com pouco mais de 10 mil quilômetros.

Juntos, esses três parlamentares concentram mais de 40% de toda a distância percorrida pelos vereadores que viajaram no período. Quando a análise considera o custo por quilômetro rodado — cálculo que divide o total pago em diárias pela distância estimada das viagens — surgem distorções relevantes.

Fabiana Camarinha apresenta o maior custo médio, de R$ 10,37 por quilômetro, mesmo sem figurar entre os vereadores que mais viajaram em termos de distância. No extremo oposto, o presidente Danilo da Saúde (PSDB) e Elio Ajeka (PP) registram os menores custos médios, de R$ 3,40 e R$ 4,48 por quilômetro, respectivamente, apesar de deslocamentos interestaduais.

Metade do teto

No total, os gastos da Câmara com diárias somaram R$ 656.908,69 entre fevereiro e outubro. O pico mensal ocorreu em junho, com R$ 123.926,31, seguido por setembro, com R$ 114.290,03. Mesmo assim, o montante representa menos da metade do limite potencial permitido.

Os vereadores dispõem de um teto mensal de R$ 160 mil para despesas com viagens, conforme o orçamento do Legislativo. Considerando o período analisado, a Câmara poderia ter gasto cerca de R$ 1,4 milhão apenas com deslocamentos, mas utilizou 46,92% deste total.

Justificativas

As viagens oficiais são justificadas, nos pedidos formais, pela necessidade de tratar de repasses de verbas, obras para o município e participação em eventos institucionais. O Congresso Nacional, ministérios e a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) concentram a maior parte das agendas.

O tema é sensível no Legislativo por envolver gastos com dinheiro público. Vereadores ouvidos reservadamente pelo MN afirmaram que o custo das viagens é muito inferior ao valor das emendas conquistadas para diferentes setores da cidade.

Há, no entanto, quem defenda que parte das solicitações poderia ser feita por meios digitais. A maioria dos parlamentares, porém, sustenta a importância do contato presencial com deputados e integrantes do Executivo. Parte das viagens também é divulgada pelos vereadores em redes sociais.

Rodrigo Viudes

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