Polícia

Veterinária perde mais de R$ 60 mil em golpe aplicado por falsos policiais

A Polícia Civil de Marília investiga um golpe que causou prejuízo superior a R$ 60 mil a uma médica veterinária de 42 anos. O crime foi aplicado por telefone e mensagens de texto, com criminosos que se passaram por integrantes da Secretaria de Estado da Segurança Pública, da Polícia Federal e de um suposto órgão ligado ao sistema financeiro.

Conforme apurou a reportagem, a vítima recebeu o primeiro contato no início do mês, por meio de um número com DDD de São Paulo. Na ligação, um homem afirmou que ela deveria comparecer pessoalmente a uma suposta unidade policial na capital paulista.

Ao informar que residia em Marília e não poderia comparecer, a ligação foi “transferida” para um suposto policial federal, que dizia falar de Brasília. Segundo o registro, o interlocutor se identificou como “Heitor” e afirmou que a veterinária era alvo de investigação por lavagem de dinheiro.

O golpista alegou que um homem havia sido preso com um cartão bancário em nome da vítima, vinculado a uma conta corrente que teria movimentado valores milionários, supostamente oriundos de corrupção. Disse ainda que o suspeito — apresentado como delator — teria acusado a veterinária de vender os próprios dados pessoais por R$ 800 mil.

Interrogatório virtual

A partir desse momento, a vítima passou a ser submetida a longos questionamentos sobre sua vida pessoal e financeira. O falso policial afirmava que pretendia ajudá-la a “esclarecer a situação” e solicitava informações sobre contas bancárias, saldos e histórico de transferências.

Em uma chamada de vídeo pelo WhatsApp, o autor mostrou o próprio rosto e o de outro homem, apresentado como o suposto preso. A vítima acreditou que participava de uma audiência virtual.

O golpe avançou quando os criminosos enviaram um arquivo em PDF com brasão da Polícia Federal e o título “termo de confidencialidade”. A veterinária assinou o documento por meio da plataforma Gov.br e o devolveu, embora o material não tivesse validade legal.

Na sequência, passou a receber ordens para manter contato quatro vezes ao dia e compartilhar a localização em tempo real, sob a alegação de colaborar com uma investigação sigilosa.

Terror psicológico

Segundo o relato, o estelionatário utilizou intimidação para impedir que a vítima desconfiasse do golpe. Ele afirmou que o caso era altamente sigiloso e citou a suposta morte de um homem em um aeroporto por ter revelado investigação semelhante.

A estratégia, conforme o boletim de ocorrência, manteve a vítima sob pressão e isolamento. Em seguida, os criminosos passaram a exigir uma “consolidação financeira”, orientando que todo o dinheiro fosse concentrado em uma única conta.

A vítima foi instruída a transferir recursos entre bancos até enviar os valores para uma suposta “conta sigilosa de custódia”. As transferências somaram cerca de R$ 30 mil em uma instituição e mais de R$ 30 mil distribuídos em outras duas.

O golpe começou a ser interrompido quando algumas instituições financeiras passaram a bloquear operações suspeitas. Mesmo com receio, a vítima chegou a negar às empresas que estivesse sob coação, mas ainda assim contas foram bloqueadas.

A desconfiança surgiu apenas quando os supostos policiais interromperam o contato e bloquearam a vítima. O dinheiro já havia sido transferido.

Alerta

O golpe do falso policial ou da falsa investigação tem feito vítimas em diversas regiões do país. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta que criminosos simulam investigações, exigem sigilo e pressionam pessoas — sem qualquer envolvimento ilícito — a transferir recursos para contas indicadas por eles.

Carlos Rodrigues

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