Marília

Tuta vive: Viúva mantém projeto de Natal há oito anos

Leonice Constantino Garcia, viúva do Tuta, é nova líder da ação que entrega mais de cinco mil brinquedos (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

Encanador autônomo, um homem simples, Artur Lopes Garcia, o “Tuta” – que morreu em 2014 – não tinha brinquedos quando criança. A memória da infância pobre foi a principal inspiração para ele criar uma ação de Natal que soma mais de meio século de generosidade.

Os esforços da viúva, Leonice Constantino Garcia, e dos filhos têm garantido a continuidade da ação. Ela conta que teve dúvidas se deveria prosseguir, mas o legado prevaleceu.

A companheira de Tuta sentiu a resistência que a corrente do bem havia adquirido ao longo dos anos, com o apoio dos filhos, dos voluntários que trabalham no dia da entrega e, principalmente, dos doadores – muitos deles anônimos.

Tuta e Leonice; casal teve união de 43 anos abreviada por um câncer em 2014 (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

ORIGEM

Em 1969, ano em que se casou, Tuta trabalhava na pintura de uma casa quando observou alguns brinquedos avariados, já sem a atenção das crianças daquela família.

Ele perguntou se poderia restaurar os objetos e doar para crianças pobres do bairro. A resposta positiva fez nascer – despretensiosamente – a ação de Natal com a entrega de 18 brinquedos no primeiro ano.

“No ano seguinte, ele pediu doações em mais alguns lugares onde trabalhou. No fim do ano, juntou todos, consertou dezenas e comprou alguns novos. Assim a campanha começou a crescer e mais pessoas apareceram para ajudar”, conta Leonice.

Dia de entrega na comunidade; voluntários fazem a festa das crianças (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

Tuta dizia, conta a viúva, que não se vestia de Papai Noel porque, para ele, os verdadeiros “pais e mamães noéis” eram as pessoas que faziam doações.

Ele cresceu com o personagem distante de seu imaginário e sabia que, para muitas daquelas crianças carentes, a fantasia era dispensável, mas a alegria proporcionada pela visita de Natal era imensa.

“Teve uma época, antes dele construir uma varanda, que eu passava dois meses sem poder varrer a casa direito. Ficava tudo dentro de casa, empilhado, lotando os cômodos. Todo ano sempre passava de cinco mil crianças atendidas”, lembra a viúva de Tuta.

Tuta, já doente, não se afastou da campanha em nenhum ano (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

A paixão pelos brinquedos era grande, mas Tuta teve que parar de restaurar peças porque os itens ficavam diferentes e motivavam disputas entre as crianças. Não era a intenção. “O Tuta padronizou bolas e carrinhos para os meninos e bonecas para as meninas. Algumas delas, queria bola. Ele trocava”, conta a viúva.

Durante os 43 anos de união, Leonice foi companheira também na ação de Natal. Ela não descia nas favelas. Ficava na “base”, onde preparava os lanches para os voluntários, que voltavam das comunidades após horas de transporte e distribuição de brinquedos.

“Quando ele morreu, falei para os meninos: ‘vamos fazer o primeiro ano e ver como vai ser, se der certo, continuamos. Tudo foi tão perfeito que fiquei até admirada. Não vamos parar”, garante.

Habilidades manuais e paixão em restaurar e doar brinquedos (Foto: Célia Ribeiro)

Desde que a campanha cresceu – na década de 70 -, 2021 é o ano com mais dificuldade. “A arrecadação está bem devagar. Acho que é por conta da crise. Esperamos que agora na reta final, dê uma melhora”, acredita Leonice.

Junto com cada brinquedo, os voluntários entregam uma pipoca, salgadinho e algumas balas. A mulher anota em um caderno os nomes e quantitativos de cada doador, para manter o controle, mas sabe que a maioria deles não espera nenhuma divulgação.

Toda ajuda é bem-vinda, mas na campanha de Natal do Tuta, as doações em dinheiro são ainda mais importantes, porque permitem a compra de brinquedos em grandes redes populares de São Paulo, onde é possível obter padrão nos itens e melhores preços.

Leonice e os filhos, Washington e Wellington (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

PARTIDA PRECOCE

Mãe de Washington e Wellington, Leonice relembra com saudade do homem simples, generoso e habilidoso que o marido foi.

“Ele era muito bom em consertar coisas. Era muito curioso, pesquisava, ia mexendo até aprender. Por isso, era muito bom como encanador e sempre tinha trabalho”, relata.

Com humildade, manteve a família, liderou a ação relevante e escreveu o próprio nome na história de Marília. Poucos meses antes de morrer – quando já enfrentava um câncer de intestino com metástase – Tuta recebeu da Câmara Municipal o título de Cidadão Benemérito. Artur Lopes Garcia também dá nome à rua no bairro Montana, zona Norte da cidade.

Voluntários assumem legado de Tuta e seguem firmes na campanha (Foto: Divulgação/Redes Sociais)

VAMOS AJUDAR

Ainda dá tempo de contribuir com a ação de Natal que faz a diferença na vida de centenas de crianças. Quem quiser colaborar pode fazer contato pelo telefone (14) 9 9790-3026 [clique aqui para iniciar uma conversa] ou levar diretamente na rua Ézio Banzato, 64, bairro Nova Marília, zona Sul.

Carlos Rodrigues

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