Polícia

Trans que matou companheiro com facada na Vila Barros vai a júri popular, decide juiz

Vítima morreu ainda no local (Foto: Divulgação)

A Justiça de Marília decidiu levar a julgamento pelo Tribunal do Júri Lucas Henrique Meira Requena, de 22 anos, que se identifica como Thayla Bitencourt, réu por matar Tiago Marcel Mourão Florêncio, de 41 anos, na Vila Barros (zona norte).

Decisão foi assinada pelo juiz Paulo Gustavo Ferrari, da 2ª Vara Criminal, que entendeu haver provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o caso seja analisado pelos jurados.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), o crime ocorreu na noite de 11 de novembro de 2025, na rua Salvador Salgueiro. Thayla foi denunciada por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

As investigações apontaram que o relacionamento entre a acusada e a vítima era marcado por conflitos constantes, motivados por ciúmes, consumo de drogas e discussões por dinheiro. Testemunhas relataram que Tiago já havia sofrido agressões anteriores e que a trans costumava portar faca e fazer ameaças.

Conforme depoimentos colhidos durante a instrução, momentos antes do crime houve uma discussão em um ferro-velho. Em seguida, Tiago foi atingido por um golpe de faca na região do tórax. Mesmo ferido, conseguiu percorrer cerca de 80 metros em busca de socorro, gritando que iria morrer, antes de cair na via pública.

Laudos periciais apontaram que a vítima apresentava uma perfuração na região torácica esquerda e que morreu em decorrência de hemorragia interna traumática causada por instrumento perfurocortante. Os peritos confirmaram que Tiago caminhou após ser ferido, pelas marcas no caminhho.

Thayla fugiu, mas foi presa e, durante a investigação, chegou a admitir ter desferido o golpe, mas alegou legítima defesa. Acolhimento da tese foi rejeitada de forma preliminar. Para o magistrado, caberá ao Júri analisar se houve ou não intenção de matar e decidir sobre a versão apresentada pela defesa.

Família desconhecia

Uma pessoa da família da vítima, testemunha no processo, afirmou em depoimento que o entorno familiar desconhecia o relacionamento entre os dois e que somente durante o velório soube, por relatos de terceiros, que se tratava de um casal em relação conturbada.

Presa preventivamente desde novembro de 2025, Thayla Bitencourt permanecerá detida e não poderá recorrer em liberdade. A data do julgamento pelo Tribunal do Júri ainda será marcada pela Justiça. A ré ainda terá um último recurso, para tentar evitar o julgamento.

Carlos Rodrigues

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