Polícia

‘Tiramos uma pessoa. Quando pensamos que conseguiríamos tirar mais uma, o extintor acabou’

Da esq. para a dir., o pedreiro Gabriel de Souza Santos e o encanador Esdras Ribas trabalhavam no Educandário, quando o avião caiu (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

O encanador Esdras Ribas estava trabalhando em uma obra nas proximidades da AABB quando ouviu o que, inicialmente, parecia ser mais uma decolagem no aeroporto de Marília. Segundos depois, porém, o som de uma explosão mudou completamente a rotina da manhã desta quarta-feira (10).

“A gente estava trabalhando ali no Educandário. Somos acostumados a ouvir os aviões pousando e decolando. Dessa vez, ouvimos a decolagem e logo depois a explosão”, contou.

Ao perceber que algo grave havia acontecido, Esdras e outros trabalhadores correram em direção ao local da queda. “Vimos uma fumaça preta, ainda baixa. Pulamos o alambrado do campo da AABB e fomos para lá.”

Ao chegar aos destroços, o grupo encontrou a aeronave em chamas e iniciou uma busca por extintores para tentar conter o incêndio.

“Viemos pedir extintor. Tinha muita gente com medo do fogo. Acho que por isso ficaram receosos de ajudar. Mas a gente viu o pessoal no desespero gritando e não pensou muito.”

Segundo ele, foram utilizados extintores prediais disponíveis nas proximidades. O grupo conseguiu controlar parcialmente as chamas por alguns instantes e chegou até os ocupantes da aeronave. “Quase conseguimos apagar o fogo, mas os extintores acabaram.”

Durante a ação, os trabalhadores conseguiram retirar uma pessoa com vida dos destroços.

“Tiramos uma pessoa lá de dentro. Quando pensamos que conseguiríamos tirar mais uma, o extintor acabou e o fogo entrou na cabine. Foi aí que começou a tomar conta de tudo.”

A lembrança mais marcante para Esdras é a tentativa frustrada de alcançar outra vítima. “A gente retirou uma só. A outra, a gente viu apenas o braço pedindo ajuda. Mas não deu tempo. O fogo entrou na cabine.”

Além dele, outras testemunhas participaram diretamente da tentativa de salvamento.

“Estavam mais dois da obra com a gente e mais um rapaz que mora aqui perto. Foram quatro ou cinco pessoas tentando ajudar, além de outras que já estavam no local.”

Mesmo horas após o acidente, Esdras ainda demonstrava dificuldade para processar tudo o que viveu.

“A gente fica triste, pensa que são pais de família, pessoas que tinham uma vida inteira pela frente. Graças a Deus conseguimos tirar um. Espero que ele volte para casa. Mas ainda parece inacreditável. Acho que a ficha só vai cair quando a adrenalina passar.”

O acidente aconteceu por volta das 11h50, após a queda de uma aeronave de pequeno porte na sede da AABB, ao lado do aeroporto de Marília. Duas pessoas morreram e uma terceira foi socorrida com vida. As causas da queda serão investigadas pelas autoridades aeronáuticas e pelos órgãos de perícia.

Carolina Rolta

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