Marília

TCE julga irregulares aditivos em obra de Abelardo Camarinha

Transitou em julgado – ou seja, não cabem mais recursos – no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) a decisão pela irregularidade dos aditivos feitos no contrato para construção da barragem no Ribeirão dos Índios, na zona Norte de Marília. A obra não ficou pronta mesmo 16 anos após iniciada.

A corte deu prazo de 60 dias para que a administração municipal tome providências contra os responsáveis pelas assinaturas, como por exemplo a abertura de sindicância por parte da Corregedoria Geral do município.

São culpados os ex-prefeitos Mário Bulgarelli e Abelardo Camarinha, além dos ex-secretários municipais de Obras Públicas José Luís Datilo e Antonio Carlos Nasrauí.

Foram considerados irregulares dez aditivos e dois termos de rerratificação. A decisão foi publicada na última sexta-feira (25).

Entenda

Com a promessa de acabar com a falta de água na zona Norte de Marília, a obra foi iniciada no ano de 2003, no governo do ex-prefeito Abelardo Camarinha (PSB), e paralisada já no ano seguinte.

Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado com o Ministério Público Federal (MPF), já que foram aplicados recursos da União, e descumprido. Os procuradores executaram o TAC e o imbróglio continua.

Camarinha, responsável pela administração municipal quando a obra foi iniciada, foi condenado em 2016 junto com José Luís Dátilo, ex-secretário municipal de obras públicas, por atos de improbidade.

A ação foi movida na 2ª Vara Federal de Marília, que condenou a dupla a devolver mais de R$ 11 milhões aos cofres públicos. Foi constatado que apenas 30% da obra foi executada.

Na época, Camarinha alegou que iniciou as obras. “Deixamos ela quase pronta e o governo Bulgareli abandonou as obras, deteriorando uma boa parte do que foi feito. A nossa parte foi concluída e se houve algum erro não foi culpa do meu governo”.

Situação

No começo deste ano reportagem do Marília Notícia apurou que a atual administração apresentou ao MPF um projeto para concluir a barragem, mas os procuradores solicitaram estudos complementares para se evitar que seja desperdiçado mais dinheiro público.

Em janeiro a administração municipal afirmou por meio de nota que aguardava uma decisão final da  Justiça Federal para retomada da obra ou um acordo com o MPF.

“A totalidade da obra implica em grande dispêndio de dinheiro sem que tenha o necessário benefício à população, neste sentido um acordo para aproveitar o que já está construído é o que melhor atende o interesse público e a eficiência nos gastos do dinheiro público”, alega a administração.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

Recent Posts

MP pede derrubada de lei que flexibilizou uso de sacolas plásticas em Marília

Sacolinhas plásticas voltam a ser assunto em Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia) O Ministério Público…

5 horas ago

Destroços de avião que caiu na AABB em Marília são removidos para investigação

Destroços sendo retirados da AABB em Marília para prosseguimento das investigações (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)…

9 horas ago

Mariliense mira nova quebra de recorde no Circuito Paralímpico em SP

Kevin Zorzela defende melhor marca do salto em distância em sua categoria há três anos…

10 horas ago

Idosa de 86 anos é empurrada durante roubo dentro de casa; região acumula denúncias

Uma idosa de 86 anos foi vítima de roubo dentro da própria residência na noite…

10 horas ago

Projeto de avenida de R$ 55 milhões avança com novo decreto em Marília

Futura Transversal Radial Leste vai interligar a zona leste (Reprodução: Prefeitura de Marília) A Prefeitura…

11 horas ago

This website uses cookies.