Em audiência no Congresso Nacional para discutir a Medida Provisória (MP) 832, que estabelece uma política de preços mínimos para o frete rodoviário, o presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Arney Antonio Frasson, reconheceu nesta terça-feira, 3, que há um problema no setor de transportes, principalmente em relação aos caminhoneiros autônomos. “Desde 1999, temos greve a cada três anos, então é óbvio que tem alguma coisa errada”, disse.
Ele afirmou que o tabelamento vai gerar assimetrias no mercado. E, como os preços foram fixados no pico, o que vai acontecer é que as empresas comprarão frota própria e vão tirar os autônomos do mercado. A tabela, disse ele, vai criar uma situação na qual deixarão de ser discutidos os problemas estruturais do transporte, como a situação da infraestrutura e a tributação.
“Podemos estimular a contratação direta do transportador autônomo”, indicou Frasson. Hoje, explicou, as tradings não têm frota e pagam taxas de 10% a 12% a um agenciador de caminhoneiros. Com a contratação direta, poderia haver custos menores para as empresas e renda maior para os motoristas. “Nunca pensamos nisso”, afirmou “É uma lição para resolver no futuro.”
Ele reconheceu que a tendência é o Congresso aprovar alguma forma de tabelamento do frete. Por isso, pediu que haja perdão de indenizações pelo descumprimento da tabela.
As lideranças de caminhoneiros presentes à reunião sinalizaram que são contra.
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