Mesmo com a crise econômica que atinge o País, o setor de tecnologia segue crescendo, com atração recorde de investimentos e geração de vagas. O que ainda parece não estar claro, contudo, é o forte papel que poderá ser desempenhado pelas startups no processo de retomada do pós-pandemia.
O setor de tecnologia gera oportunidades de forma muito mais rápida, com investimentos muito baixos em infraestrutura e sem custo ambiental. Os postos de trabalhos gerados no setor de tecnologia são altamente qualificados, o que gera indiretamente o desenvolvimento de empregos indiretos no comércio e serviço. Outra vantagem está no resultado direto do trabalho das startups. Essas empresas oferecem soluções inovadoras, que por si só, tornam o país mais eficiente ao reduzir custos e aumentar as facilidades na realização de todo tipo de tarefa ou processo.
A maioria dos países do mundo já descobriu as vantagens de apoiar o desenvolvimento do ecossistema de startups e tecnologia e vem construindo uma rede de incentivos para o desenvolvimento dessas empresas. No Brasil, entretanto, além de não incentivarmos, tributamos mal – onerando o investimento em startups mais até que outras modalidades de maior risco e menor retorno social. Convivemos com inseguranças jurídicas e excesso de burocracia. É verdade que houve avanços recentes no marco regulatório, embora ainda muito aquém do necessário para que o país se torne competitivo e realize todo seu potencial de potência tecnológica regional.
A resposta pode ser muito melhor e mais rápida do que imaginamos. Basta olhar para investimentos públicos e privados feitos entre 5 a 10 anos atrás nesse setor. Os resultado gerados foram desenvolvimento econômico, geração de empregos, incremento de produtividade e competitividade regional e geração de conhecimento. Tomemos como exemplo o programa Start-Up Brasil, que eu tive a oportunidade de liderar entre 2013 e 2015. Investimos cerca de R$ 40 milhões em pouco mais de 180 startups, com seleção criteriosa e apoio privado de investidores e agentes de aceleração. Neste ano, apenas uma delas, a Memed, recebeu um aporte de R$ 300 milhões.
É preciso acordar para essa nova realidade e entender que a matriz econômica que irá nos levar para as próximas décadas não será a mesma que nos trouxe até aqui. O País precisa construir novos modelos de incentivo estrutural ao empreendedorismo tecnológico.
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