Tecnologia

Startup de tecnologia prevê avanço do transporte sob demanda

Como toda tecnologia nova no mercado, os aplicativos de transporte sob demanda levantaram algumas dúvidas entre empresários do setor de transporte rodoviário.

Afinal, trata-se de um modelo de negócios que, embora tenha sido explorado internacionalmente, ainda não havia se fortalecido no Brasil.

Entretanto, com as medidas de isolamento social causadas pelo novo coronavírus, a mobilidade tende a mudar nos próximos anos. E as empresas precisam pensar em inovação para não apenas reter clientes, como também encontrar novas formas para recompor a receita.

Assim, melhorando a economia e o transporte urbano como um todo, tanto para empresas como passageiros.

A Praxio, empresa de tecnologia especialista na gestão de transporte rodoviário, em parceria com a Ubus, startup voltada ao serviço de transporte sob demanda, visa facilitar a implantação da modalidade no Brasil.

Dessa maneira, as plataformas integradas simplificam a aquisição e execução do serviço, do ponto de vista das empresas de transporte de passageiros.

Para entender melhor como deve funcionar o transporte sob demanda no Brasil, confira entrevista realizada com Victor Gonzaga, diretor de operações da Ubus:

O transporte sob demanda é uma modalidade já estudada em alguns países ao redor do mundo, mas ainda tímida no Brasil. É possível afirmar que a pandemia do coronavírus, e a consequente nova percepção de mercado que ela trouxe, tenha agilizado algumas questões que antes eram entraves para licitação e implantação do sistema no país?

Victor Gonzaga: O serviço sob demanda ganhou espaço no Brasil com a alta solicitação deste serviço por clientes e ganhou mais espaço agora na pandemia. Com o transporte sob demanda é possível gerar o distanciamento através da reserva de assentos. Para operadores, o serviço é extremamente vantajoso, visto que reduz o custo operacional e aumenta a eficiência da operação.

Nesse sentido, o transporte sob demanda pode ser visto como uma forma de renovar a receita na empresa de transporte de passageiros, tendo em vista que a mobilidade urbana após a pandemia tende a mudar?

Victor Gonzaga: O setor de transportes já vinha perdendo clientes há alguns anos. Com a pandemia, essa perda foi extremamente significativa. A pandemia veio para chacoalhar o sistema e acelerar as mudanças. Sendo assim, o transporte sob demanda tende a ser a melhor opção para os operadores de transporte coletivo gerarem mais receitas e diminuírem seus custos operacionais.

Em sua percepção, o transporte sob demanda deve ser uma modalidade explorada nas principais metrópoles daqui a quanto tempo?

Victor Gonzaga: O que estamos vendo no mercado é uma procura grande por este tipo de serviço. Acredito que em 2021 o aumento deste serviço será exponencial em nosso país.

A tecnologia (como o streaming, por exemplo) foi usada para controlar licenças e produtos, assim combatendo fortemente a pirataria. Na mesma linha de raciocínio, podemos prever que o transporte sob demanda, levando em conta a qualidade do serviço e a segurança oferecida por um custo acessível, tende a combater o transporte irregular?

Victor Gonzaga: Com certeza. A concorrência hoje em dia é desleal quando falamos do serviço regulamentado de transporte coletivo versus o transporte irregular e (acrescento) o transporte individual por aplicativo. As empresas de transporte coletivo com suas concessões possuem inúmeras travas que impedem a geração de uma concorrência no mesmo nível. A tecnologia por trás do transporte sob demanda moderniza o sistema de transportes coletivo, atrai clientes que foram para outros modais e conquista novos clientes.

Quais argumentos e aspectos do transporte sob demanda podemos listar que corroboram para a percepção de que ele é complementar ao serviço de transporte público, não concorrente com ele?

Victor Gonzaga: Por ser um serviço diferenciado ele surge como um complemento ao serviço de transporte regular. O objetivo é não canibalizar o sistema já existente e concorrer com os outros modais.

Quais são as responsabilidades da empresa de transporte de passageiros ao prestar esse serviço?

Victor Gonzaga: As empresas operadoras de transporte coletivo regulamentado são responsáveis pela operação. No caso do UBUS, não somos operadores (somos a solução tecnológica) e realizamos a ponte entre os operadores e os clientes.

Para a empresa de transporte de passageiros, como é possível fazer toda a gestão de todo esse serviço da melhor forma possível?

Victor Gonzaga: O UBUS veio para alimentar o operador com muitas informações que são deficitárias no sistema tradicional atual. Fornecemos informações como mapas de calor, tempo estimado e real de viagem, localização dos carros, sobe e desce de passageiros, entre outros, e auxiliamos os operadores nas solicitações ao poder concedente e nas tomadas de decisões. Nossa plataforma veio para aumentar a eficiência operacional.

Agência Estado

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