(Foto: Arquivo pessoal/Facebook)
A enfermeira Elisa Rosa da Silva, 54 anos, lembra perfeitamente do dia em que foi xingada de “negra fedida” por um policial militar enquanto trabalhava no Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas de Marília, anos atrás.
“Não abaixei a cabeça e exigi a punição dele por seus superiores”, disse Elisa, que ressalta a importância do dia Consciência Negra, comemorado nesta quarta-feira, dia 20 de novembro.
Na faculdade, Elisa foi a única aluna negra de sua turma e afirma que “para nós, é tudo mais difícil”. “Tenho que provar o tempo todo que sou a melhor naquilo que faço para que reconheçam meu valor”.
Elisa com colegas de trabalho (Foto: Arquivo pessoal/Facebook)
“No começo, na faculdade, muitos me olhavam torto e ainda hoje isso acontece em alguma medida. Quando dizem que a enfermeira Elisa vai atender, as pessoas esperam uma mulher branca e se surpreendem quando me veem”, relata a profissional.
Elisa hoje trabalha na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona Norte e possui diversas pós-graduações. Ela diz que consegue perceber o preconceito nos olhos das pessoas.
A profissional da saúde também vive de perto outra faceta da discriminação, a que acontece contra as religiões de matrizes africanas. Elisa é mãe de santo na Umbanda e no Candomblé e conta que muitos se afastam quando ficam sabendo disso.
Elisa, que também é mãe de santo, recebe homenagem (Foto: Arquivo pessoal/Facebook)
Ela se identifica como uma militante contra o racismo e também integra em Marília o Conselho Municipal da Igualdade Racial.
“Estamos no Século 21, as pessoas tinha que ser mais toleráveis, o negro tem direito de estudar, de ocupar todos os espaços, tem direito de cultuar o que ele quiser, seja católico, evangélico ou matriz africana”, comenta Elisa.
Discriminação de religiões de matriz africana também é criticada por Elisa (Foto: Arquivo pessoal)
Discriminação
Amigo de Elisa, o presidente do mesmo Conselho Municipal de Igualdade Racial, Sugar Ray, também nunca se esquece um episódio marcante de discriminação racial vivido por ele.
“Eu praticava atletismo e não me deixaram entrar no Clube de Regatas Tietê em São Paulo, para participar de uma seleção, porque era proibida a entrada de negros ali em 1978, quando tinha 14 anos”, relembra Sugar Ray.
Sugar Ray, ao centro, e Elisa (direita) – (Foto: Arquivo pessoal/Facebook)
Hoje ele é coronel da reserva da Polícia Militar e também graduado em Ciências Sociais. “Durante toda minha atividade na PM tive a preocupação de orientar os policiais, em nome da ordem pública, para não cometer qualquer ato de discriminatório”, afirma.
Hoje, no Conselho, um órgão consultivo e de mediação, Sugar Ray afirma que busca combater principalmente a violência praticada contra o negro, principalmente os jovens. “Temos que sensibilizar e conscientizar os cidadãos sobre a questão da intolerância”.
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