O ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), defendeu regulação aprovada pela Corte na última terça (27) contra candidatos que usarem inteligência artificial para deturpar conteúdos nas eleições deste ano e afirmou que só multa não basta.
“Alguém usa a inteligência artificial para deturpar todo o conteúdo da palavra do seu adversário, ganha a eleição e depois só vai ser multado? Não. Vai ser multado e vai perder o mandato. Isso é muito importante para que todos os partidos políticos, candidatos e candidatas, saibam de antemão”, disse ele nesta sexta (1º) em evento em Buenos Aires.
As novas regras determinadas pelo tribunal, propostas pela relatora Cármen Lúcia e aprovadas pelos demais ministros, estabeleceram que quem usar a tecnologia na campanha terá de colocar um selo ou uma marca de que aquele conteúdo foi alterado. A exigência vale já para estas eleições municipais.
“O mecanismo da inteligência artificial por si só não é maléfico. Quem deturpa isso é o ser humano, ao utilizar para deturpar áudio ou vídeo. É por isso que o TSE preventivamente já regulamentou isso”, respondeu Moraes ao ser questionado sobre preocupações do tribunal quanto à deepfake no pleito.
Ele já havia elogiado a medida, dizendo que já estará fora do TSE quando ela for implementada. Ele citou que o problema já ocorreu nas eleições da Argentina, em que foram divulgados vídeos transformando falas com perfeição, inclusive dos movimentos labiais, contra o ultraliberal Javier Milei e o peronista Sergio Massa.
O ministro viajou à capital argentina para participar de evento sobre a reforma do Código Civil brasileiro, que está sendo debatida por juristas até 5 de abril antes de se tornar um projeto de lei que tramitará no Senado e depois na Câmara.
O evento atrasou por causa uma greve de aeroviários do país vizinho que aconteceu nesta quinta (29), e Moraes deixou a Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (UBA) antes de que fosse homenageado. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, estava entre os convidados, mas não foi.
Também presente, o ministro do STF Edson Fachin falou que “ninguém está acima da lei”, sobre a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que blinda deputados. Ele comentou sobre descriminalização da maconha, na qual já votou a favor: “A drogadição é um mal a ser enfrentado, mas não com processo penal”.
Questionado sobre ataques à Corte no protesto bolsonarista do último domingo (25), ele criticou uma “estratégia de diluir as cortes constitucionais” em vários países do mundo, “uma porta aberta para o autoritarismo”, afirmou.
Por JÚLIA BARBON
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