Marília

Nascimento pode ter que devolver mais de R$ 120 mil

Gastos irregulares com publicidade no exercício de 2010, pelo vereador Eduardo Nascimento (PSDB), podem gerar ressarcimento aos cofres públicos superior a R$ 120 mil. Execução da dívida depende apenas da conclusão de Processo Administrativo instaurado pela Corregedoria da Prefeitura de Marília.

O valor corresponde à restituição de R$ 65 mil – em valores da época – conforme determinação do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Processo de contas da Câmara referente àquele ano incluiu outras irregularidades e já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso.

Nascimento ocupou a presidência da Câmara Municipal entre 2007 e 2010. Na análise das despesas, a fiscalização apontou despesas com publicidade no total de R$ 65.370,00, sem comprovação adequada, paga em valor fixo mensal, o que demonstra falta de economicidade.

“Desta forma, tendo em vista que o Legislativo já divulga seus atos e atividades na TV Câmara, jornais e em rádios do município, determino que o montante gasto com publicidade (R$ 65.370,00) seja ressarcido aos cofres municipais”, escreveu o conselheiro que determinou o ressarcimento.

SALÁRIOS

A decisão foi mantida e incluía série de irregularidades como, por exemplo, o aumento nos salários de vereadores após a eleição de 2008, sendo que vários parlamentares foram reeleitos – ou seja, definiram os salários que eles mesmos receberiam a partir do ano seguinte.

O aumento indevido nos salários gerou um aumento de R$ 206.616,33 de despesas a mais aos cofres públicos, no exercício de 2010. Corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do país, o valor atual chegaria a R$ 400.302,15.

A exemplo dos gastos com publicidade, a Prefeitura também determinou a abertura de um Processo Administrativo para apurar as responsabilidades pelo ressarcimento: o objetivo é determinar se a conta deve ser paga pelo ordenador de despesas, no caso, o então presidente Nascimento ou por cada parlamentar individualmente.

AÇÃO FRUSTRADA

Em abril de 2019, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) impôs derrota ao vereador, que tentou derrubar a reprova de contas – feita por um órgão especializado, com atribuição de fiscalizar a gestão de recursos públicos – acessando a “Justiça comum”.

Desembargador Jeferson Moreira de Carvalho, que analisou o caso em segunda instância, afastou a interferência no TCE-SP e foi taxativo.

“Reprovação das contas se deu pela inobservância ao princípio da anterioridade, em razão de pagamento maior de subsídios aos vereadores, devido à lei de fixação ter sido editada após o pleito eleitoral”, escreveu.

O magistrado continuou. “Da farta documentação contida nos presentes autos, verifica-se que a questão foi amplamente debatida pelo Tribunal de Contas, tendo o apelante ampla participação no procedimento, com oportunidade de defesa, produção de provas e apresentação de recursos”, consignou.

PUBLICIDADE

Na iminência de ressarcir cofres públicos, por gastos irregulares de publicidade, Nascimento tenta barrar com Projeto de Lei novas despesas com serviços de comunicação, pelo Executivo Municipal (incluindo autarquias) e o Poder Legislativo.

Publicações na imprensa local têm desagradado o parlamentar, que passou a virar notícia devido a polêmicas e suposto caso de corrupção. O mais recente embaraço foi o inquérito em que é investigado por suposto pedido de dinheiro para apoiar ações do governo Daniel Alonso (PSDB), de quem declara-se desafeto. O parlamentar nega a extorsão.

Em Projeto de Lei redigido por Nascimento, fica estabelecido que o valor total de todas as contratações anuais de publicidade institucional não pode exceder ao valor gasto no exercício imediatamente anterior, corrigido pela inflação. A proposta soou como contraditória, já que no exercício da presidência da Casa, o político foi responsável por reprova de Contas, por gastos sem comprovação adequada.

OUTRO LADO

Ao Marília Notícia, Nascimento diz que é só solicitar no Legislativo “quanto a Câmara gastava antes da minha gestão com publicação de atos oficiais e publicidade, e a redução de gastos que fiz destes gastos. Você vai cair de costas.”

“E por que vocês estão preocupados? É apenas uma projeto, não foi aprovado e sequer passou pelas comissões para análise. Calma. Pra que o desespero?”

“Antes da minha gestão, a Câmara gastava anualmente R$ 500,  R$ 600, R$ 800 mil por ano. Eu reduzi para algo em torno de R$ 130 mil, R$ 60 mil. O TCE aprovou as gestões que gastavam mais de meio milhão [reais] e rejeitou as minhas que reduziu. Vou fazer o quê? Paciência”, continua.

“Mas o importante é minha consciência. Não estou preocupado com resto. Na época fui detonado porquê criei o Diário Oficial do Município e reduzi uma fortuna de gastos nos jornais. Mas estou aqui vivo e com mandato para contar a história. Já o Jornal diário nem existe mais.”

Carlos Rodrigues

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