A Shopify, empresa de comércio canadense com sede em Ottawa, no Canadá, está demitindo cerca de mil trabalhadores, ou 10% de sua força de trabalho global. Isto reverte uma aposta no crescimento do comércio eletrônico que a empresa de tecnologia fez durante a pandemia, de acordo com um memorando interno divulgado nesta terça-feira, 26.
Tobi Lütke, fundador e presidente-executivo da Shopify, disse aos funcionários em comunicado que as demissões são necessárias à medida que os consumidores retomam velhos hábitos de compras e recuam nos pedidos online, que impulsionaram o recente crescimento da empresa.
A Shopify, que ajuda as empresas a criar sites de comércio eletrônico, alertou que espera uma diminuição da receita este ano. Suas ações caíram quase 80% desde que o pico em novembro. Ela deve informar seus resultados trimestrais na quarta-feira, 27.
Lütke disse que esperava que o crescente crescimento das vendas de comércio eletrônico durasse além dos problemas causados pela pandemia de covid-19. “Agora está claro que a aposta não valeu a pena”, disse Lütke na carta, que foi publicada pelo jornal americano Wall Street Journal. “Em última análise fazer esta aposta era a minha decisão e eu entendi errado.”
A empresa cortará empregos em todas as suas divisões, embora a maioria das demissões ocorra em unidades de recrutamento, suporte e vendas, disse Lütke. Os cortes de empregos da Shopify estão entre os maiores até agora em uma onda de demissões e congelamento de contratações que afeta as empresas de tecnologia. O aumento das taxas de juros, a escassez da cadeia de suprimentos e a reversão das tendências da pandemia, incluindo trabalho remoto e compras no comércio eletrônico, esfriaram o que antes era um setor de tecnologia em brasa.
A Netflix demitiu cerca de 300 funcionários em junho ao lidar com a perda de assinantes. O Twitter, agora atolado em um impasse legal com Elon Musk, demitiu menos de 100 funcionários de sua equipe de aquisição de talentos. A própria empresa de Musk, a fabricante de veículos elétricos Tesla, no final de junho demitiu cerca de 200 pessoas, depois de anunciar que cortaria 10% do pessoal assalariado. Outras empresas, incluindo Microsoft e Google disseram que vão desacelerar as contratações no resto do ano.
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