Marília

Setor de autopeças vê forte demanda, mas produtos ficam escassos

Empresário empresário Charles Cardoso Coelho também sente o impacto no setor (Foto: Carlos Rodrigues/Marília Notícia)

A valorização dos veículos usados, explosão geral de preços em todo o setor automotivo e desaceleração na indústria – nos últimos dois anos – provocaram um desarranjo no setor de autopeças. Lojistas e consumidores convivem com a falta de alguns itens e aumentos sucessivos.

Com 47 anos de experiência no ramo, o empresário Charles Cardoso Coelho já viu muitas mudanças no mercado. As recentes, porém, geraram um duplo desafio.

“Estamos lidando com alta demanda. As pessoas querendo consertar, deixar o carro em ordem, mas houve uma redução da capacidade de produção das indústrias brasileiras. Nos últimos anos, a concorrência com os importados fez muitos fabricantes virarem importadores”, afirma.

A expectativa é que o setor comece a ver melhora na situação, com o mundo caminhando para o fim gradual das restrições impostas pela pandemia. Com a demanda interna aquecida e maior confiança a médio e longo prazo, as fábricas podem retomar investimentos.

Para o lojista Robson Manoel Fanti, um dos incômodos é não conseguir manter orçamento entregue ao cliente por muito tempo. “Ainda está subindo demais. Em uma semana, você tem que atualizar o valor orçado para o cliente, porque já não vai mais achar peças no mesmo preço”, relata.

Fanti observa ainda que alguns itens que estavam em falta começaram a ter fornecimento regularizado e chama a atenção para dificuldade de compra de produtos básicos.

“No ano passado ficamos quatro ou cinco meses sem receber um tipo de rolamento do Fiat Uno que tem muita saída. Uma peça simples, mas que não achava de jeito nenhum. Outras peças mais elaboradas até estavam normais, mas nada desse rolamento”, explica.

Na empresa de autopeças administrada por Roberto Marques Garrido, molas, amortecedores e escapamentos são alguns itens que as distribuidoras reduziram as entregas. Quando o produto está indisponível, é preciso estratégia para não perder a venda.

“A gente avisa pelo telefone quando a peça vai chegar, agenda a retirada. Tem alguns itens que demoram duas semanas ou até mais, porque não têm na distribuidora. Isso tudo sem falar do preço, que está absurdo.”

Produtos em aço, borracha, lubrificantes. Nada escapou da inflação no setor, muito acima da média aferida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou próximo de 10%.

Charles destaca aumento do custo dos lubrificantes, que subiram mais de 70%. “Um litro de óleo para carro mais antigo, que vende bem, saía a R$ 14 pouco antes da pandemia. Agora você [lojista] não consegue fazer por menos de R$ 24, só para exemplificar”, diz.

Outros itens chegaram a triplicar de valor. É o caso do gás de ar-condicionado veicular, que passou de R$ 45 [quilo] para R$ 160.

Com tantas pressões nos preços, até os sistemas de trabalho das autopeças com os mecânicos, seus principais parceiros, tende a mudar. O mecânico João Martini, estabelecido na zona Sul da cidade, já percebeu. “Antes não era cobrado taxa de entrega. Mas agora, ou você busca a peça ou paga taxa”, comenta.

PERSPECTIVAS

Para Marco Antônio Machado, presidente do Sindicado do Comércio Varejista Peças Acessórios Veículos no Estado, a orientação no momento é que as empresas busquem novos fornecedores para atender os clientes.

“Sem os suprimentos, o reparador não sobrevive. Na década de 40 até era possível fazer a peça na oficina. Os veículos evoluíram e isso não é mais possível. Nós acreditamos que, se houver maior controle da pandemia, o cenário vai mudar. Acreditamos que a circulação de pessoas é a mola propulsora da economia”, conclui.

Carlos Rodrigues

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