Marília

Secretaria da Saúde inicia combate da Leishmaniose

Reunião de agentes do poder público e parceiros. (Foto: Divulgação)

Têm início no próximo dia 1º de fevereiro, as ações da Secretária Municipal de Saúde de Marília para o controle e combate à leishmaniose visceral canina e humana.

A abordagem casa a casa do inquérito faz parte do Programa Nacional de Controle da Leishmaniose Visceral do Governo Federal. O primeiro bairro que vai receber as equipes da secretaria é o Jânio Quadros, zona norte de Marília.

De acordo com Lupércio Garrido, médico veterinário da Zoonoses, logo após o Jânio Quadros, os bairros Aniz Badra e Juscelino Kubitschek (JK), serão os próximos visitados. Ao todo, a área que corresponde aos três bairros, possui mais de 4 mil cães.

Duas equipes da secretaria da saúde vão abordar os moradores que somam mais de 16 mil habitantes.

Neste 2017 foi diagnosticado um caso de leishmaniose visceral, a paciente é moradora do bairro onde vai começar a campanha. Em 2016 foram registrados 10 casos da doença na cidade.

A abordagem será de casa em casa com a coleta do sangue de todos os cães. Além da coleta, será realizada a avaliação de condição do imóvel, a busca ativa das pessoas com sintomas sugestivos da doença, orientações para controle dos possíveis criadouros do mosquito e a doação de sacos de lixo para a coleta dos dejetos orgânicos (lixo exposto, folhas úmidas, frutas apodrecidas e fezes de animais) que são responsáveis pela proliferação do mosquito transmissor.

“Vamos fazer um trabalho pontual, residência por residência. Avaliar e orientar todos os moradores quanto ao perigo dessa doença”, disse Lupércio Garrido.

Ele lembrou que, como o trabalho será minucioso, os moradores serão orientados a limpar seus quintais e recolher os sacos de lixo para fora das residências no fim de semana subsequente à realização do inquérito, pois esse material deverá ser recolhido já na segunda-feira.

O sangue colhido dos animais será submetido ao teste rápido TR-DPP, produzido pelo laboratório Bio-Manguinhos, nas dependências do CVA (Centro de Vigilância Ambiental).

As amostras reagentes seguem para o Instituto Adolfo Lutz, que vai confirmar o resultado por meio da prova ELISA. Caso a segunda análise confirme o resultado da primeira, o cão será considerado reservatório da doença.

Os agentes da Secretaria Municipal da Saúde também realizam, na atividade de inquérito, a identificação dos animais por meio do RA (Registro Animal). “Essa doença infelizmente é uma realidade na nossa cidade, portanto, iremos cumprir rigorosamente o protocolo previsto pelo programa”, disse Garrido.

Inicialmente, 12 profissionais vão fazer o trabalho nas residências que não tem período de término. “Vamos realizar o trabalho sem pressa, para que todas as casas dos bairros sejam visitadas e o controle da doença seja realizado”, disse.

Parcerias 

A Secretaria da Saúde terá importantes parcerias na aplicação dessa campanha. Uma delas é da Unimar (Universidade de Marília) por meio do curso de Medicina Veterinária.

“Vamos atuar junto à secretaria em três frentes, a da educação de crianças e adultos, apoio ao inquérito epidemiológico e um mutirão de castração”, disse Prof. Dr. Fábio Manhoso, coordenador do curso.

Outra parceira é com a Secretaria de Meio Ambiente e Limpeza Pública e da Educação, que vão atuar juntamente com a saúde, nos dias de busca aos criadouros do mosquito.

Doença 

A Leishmaniose visceral é uma doença crônica grave causada por um protozoário, transmitido pela picada do mosquito palha.

O mosquito suga o sangue de um cão infectado, e depois transmite o parasita a pessoa ou animal saudável. O mosquito deposita seus ovos no solo, à sombra, e a larva se alimenta de material orgânico em decomposição: lixo exposto, folhas úmidas, frutas apodrecidas e fezes de animais.

Em cães e humanos o parasita se reproduz em órgãos vitais como fígado, baço, e na medula óssea, onde são produzidas as células do sangue. A doença é tratável nas pessoas, principalmente quando diagnosticada a tempo, não havendo formas acessíveis e de eficácia comprovada nos cães. O tratamento humano ocorre em ambiente hospitalar.

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