Marília

Saúde estrutura rede para ampliar atendimento a autistas

A Secretaria da Saúde deu início à estruturação na rede municipal com o objetivo de ampliar o atendimento ao portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e família ou responsável legal.

A iniciativa é do secretário adjunto da pasta, Osvaldo Ferioli Pereira, que tem realizado encontros com a equipe técnica da secretaria, dando início assim à estrutura necessária para oferecer atendimento a crianças e jovens portadores do TEA.

Na semana passada foi realizada outra reunião para o avanço do projeto e, além do secretário adjunto, estavam presentes também a diretora de Serviços Administrativos, Ana Beatriz Albieri Pigozzi; a enfermeira chefe do Centro de Apoio Psicossocial Infantojuvenil (Caps) Catavento, Cristina Toshie de Macedo Kuabara; a encarregada de serviços de fonoaudiologia, Edinalva Neves Nascimento; a fonoaudióloga Fabiana Martins (Equipe de Apoio Saúde da Criança); a enfermeira Camila de Andrade Alcalde (supervisora de Saúde Mental); e a médica pediatra Vivian Tamiello Reverete (coordenação da Saúde da Criança).

“O objetivo da Rede Municipal de Saúde é oferecer atendimento ao portador do TEA e aos familiares, através das equipes da Rede de Atenção Básica. Para isso é necessário iniciarmos essa estruturação, o que vem acontecendo a cada encontro, organizando o fluxo para esse futuro serviço. Estamos avançando e acredito que em breve já teremos novidades”, destaca Ferioli

TEA

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades.

Sinais de alerta no neurodesenvolvimento da criança podem ser percebidos nos primeiros meses de vida, sendo o diagnóstico estabelecido por volta dos dois a três anos de idade. A prevalência é maior no sexo masculino.

A identificação de atrasos no desenvolvimento, o diagnóstico oportuno de TEA e encaminhamento para intervenções comportamentais e apoio educacional na idade mais precoce possível podem levar a melhores resultados a longo prazo, considerando a neuroplasticidade cerebral.

Ressalta-se que o tratamento oportuno com estimulação precoce deve ser preconizado em qualquer caso de suspeita de TEA ou desenvolvimento atípico da criança, independentemente de confirmação diagnóstica.

A etiologia do transtorno do espectro autista ainda permanece desconhecida. Evidências científicas apontam que não há uma causa única, mas sim a interação de fatores genéticos e ambientais.

A interação entre esses fatores parecem estar relacionadas ao TEA, porém, é importante ressaltar que “risco aumentado” não é o mesmo que causa fatores de risco ambientais. Os fatores ambientais podem aumentar ou diminuir o risco de TEA em pessoas geneticamente predispostas.

Embora nenhum destes fatores pareça ter forte correlação com aumento e/ou diminuição dos riscos, a exposição a agentes químicos, deficiência de vitamina D e ácido fólico, uso de substâncias (como ácido valpróico) durante a gestação, prematuridade (com idade gestacional abaixo de 35 semanas), baixo peso ao nascer (< 2.500 g), gestações múltiplas, infecção materna durante a gravidez e idade parental avançada são considerados fatores contribuintes para o desenvolvimento do TEA.

O diagnóstico de TEA é essencialmente clínico, feito a partir das observações da criança, entrevistas com os pais e aplicação de instrumentos específicos.

Instrumentos de vigilância do desenvolvimento infantil são sensíveis para detecção de alterações sugestivas de TEA, devendo ser devidamente aplicados durante as consultas de puericultura na Atenção Primária à Saúde.

Marília Notícia

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