Marília e região

Santa Casa de Marília realiza técnica inédita contra câncer hepático

Intervenção foi conduzida pelos cirurgiões vasculares e endovasculares Rômulo Bizare e Silfayner Dias e equipe (Foto: Divulgação)

A Santa Casa de Marília realizou um procedimento cirúrgico inédito na região para o tratamento de câncer hepático, com uso de técnica minimamente invasiva que dispensa o deslocamento de pacientes para grandes centros.

A intervenção foi conduzida pelos cirurgiões vasculares e endovasculares Romulo Bizare e Silfayner Dias e consistiu na embolização da veia porta, principal veia do fígado, por meio de punção trans-hepática percutânea guiada por ultrassom, considerada de alta complexidade.

Segundo os especialistas, o procedimento é indicado em casos de comprometimento significativo do fígado pelo tumor, como em situações de metástase, e tem como objetivo preparar o órgão para uma futura cirurgia de retirada, reduzindo riscos e aumentando as chances de sucesso do tratamento.

“Trata-se de um procedimento realmente inédito em Marília. Essa técnica permite que a parte do fígado saudável se desenvolva antes da cirurgia definitiva, oferecendo mais segurança ao paciente”, afirmou Bizare. Já Dias destacou a importância da estratégia para evitar complicações.

“Ao estimular o crescimento da parte saudável do fígado, conseguimos reduzir de forma significativa o risco de insuficiência hepática no pós-operatório”, disse.

Como foi o procedimento

O caso envolveu um paciente que havia passado por retirada de tumor intestinal e, posteriormente, apresentou metástase no lobo direito do fígado. Em situações como essa, pode ser necessária a retirada completa dessa porção do órgão, o que exige preparo prévio para evitar falência hepática.

Como parte desse preparo, foi realizada a punção trans-hepática dos ramos portais direitos, seguida da embolização, com a introdução de materiais específicos, como molas e partículas, nas veias hepáticas para interromper o fluxo sanguíneo na área afetada.

Imagem do fígado com o controle final pós-embolização de veia (Imagem: Divulgação)

Com o bloqueio da circulação, o lobo direito comprometido tende a reduzir de tamanho, enquanto o lobo esquerdo, saudável, passa a crescer e se fortalecer. Esse processo cria condições mais seguras para a realização futura de uma hepatectomia parcial.

O procedimento foi executado na sala de hemodinâmica, por meio de punção na região do abdômen guiada por ultrassom e com uso de instrumentos de alta precisão.

De acordo com a Santa Casa de Marília, a realização do procedimento representa avanço na oferta de tratamentos de média e alta complexidade, consolidando a unidade como referência regional e ampliando o acesso da população a técnicas consideradas inovadoras.

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