Marília

Salgadeira morre antes de chegar à UTI e gera comoção

Josiana trabalhava na produção de bolos e salgados para aniversário (Foto: Redes Sociais)

A morte da salgadeira Josiana Oliveira, de 36 anos, causou comoção nas redes sociais nesta quarta-feira (9). Ela aguardava por um leito hospitalar desde sexta-feira (4), quando foi “internada'” em vaga de apoio no Pronto Atendimento da zona Sul (PA Sul).

O drama da família ainda persiste. Na tarde desta quarta (9), a filha adolescente, Ellen Oliveira de 17 anos, enfrentava quadro de insuficiência respiratória e estava sob atendimento na mesma unidade. A jovem também corre risco de precisar de leito de terapia intensiva. Ela, a mãe, o padrasto e a irmã de apenas cinco anos contraíram Covid-19.

O construtor Rogério Nunes Pereira, de 33 anos, recebeu a notícia da morte da esposa pela manhã e teve que ficar no carro, aguardando a enteada ser atendida. “Vamos fazer o sepultamento amanhã, porque hoje não tem a menor condição. Eu estou com Covid, no último dia de medicação”, relatou ao Marília Notícia.

O homem afirma que perdeu a companheira ao longo de pouco mais de uma semana. Josiana teve os primeiros sintomas no domingo (30), pareciam ser de uma gripe. Poucos dias depois, ela teve perda de olfato e paladar.

Ellen, de 17 anos, está ‘internada’ na mesma unidade em que a mãe morreu (Foto: Redes Sociais)

A família se isolou e só saiu, segundo Rogério, para buscar ajuda médica à Josiana, na quarta-feira (2). Ela foi medicada e voltou para casa. Dois dias depois, ela teve dor de cabeça intensa e voltou ao PA Sul. “Não saiu mais, infelizmente. De sábado para domingo já foi intubada e necessitava de leito UTI com urgência”, conta o marido.

A falta de leito motivou uma postagem de familiares nas redes sociais, com apelo para que as autoridades providenciassem os recursos para Josiana. “Eles (equipe de saúde) fizeram o possível, mas o leito poderia melhorar as condições. Agora estamos com a Ellen aí, no oxigênio. Nossa esperança é ela melhorar e ir para casa logo”, anseia Rogério.

A família mora no bairro Flamingo (zona Oeste), onde Josi e a filha Ellen trabalhavam juntas na produção de salgados e bolos para festas.

Popular na cidade pelo envolvimento em comunidades evangélicas, a família recebeu série de mensagens nas redes sociais.

Casal evangélico é popular na zona Oeste da cidade (Foto: Redes Sociais)

“Descanse em paz (sic) minha irmã. Deus recolheu mais um (sic) flor do seu jardim. Que Deus console meu amigo Rogerio Nunes e todas a suas filhas. Vai com Deus Josiana”, escreveu uma internauta.

“Prima (sic) vc foi uma mulher guerreira, forte e temente a Deus, e agora chegou a hora do seu descanso que Deus a receba de braços abertos… (sic) Primo Rogerio Nunes que Deus conforte seu coração e das meninas. Seja forte por elas e saiba que Deus está com (sic) vc em todas os momentos, até nos mais difícil ele não te deixara sozinho nunca”, motivou outra.

APELOS POR LEITO

As redes sociais têm recebido inúmeros relatos de pessoas desesperadas por leitos de UTI. A pedagoga Janaína Xavier compartilhou as angústias pela espera do irmão, Milton Xavier, de 49 anos, conhecido como Miltinho Tapeceiro. Há poucas semanas, conta ela, o irmão e a cunhada estavam fazendo campanhas para arrecadar cestas para famílias carentes.

Morador do Jardim Renata, Miltinho é popular pela sua oficina de consertos e também pelo futebol amador. Está “internado” na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da zona Norte desde domingo (6). Precisa de exames com urgência, por isso a vaga em terapia intensiva equipada se torna ainda mais importante.

“Esse, pra muitos, é o Miltinho Tapeceiro ou Miltinho da Vila Nova, (sic) pra mim é meu tato, uma das pessoas mais importantes na minha vida”, escreveu, em sua rede social.

Ao Marília Notícia, Janaína definiu: “Meu irmão é generosidade. Uma pessoa que não tinha tempo ruim para ajudar. Ele é tão forte, estava focado em ajudar quem precisa, que a gente nunca podia imaginar que, agora, quem precisa é ele. Não vejo a hora de vê-lo bem, sorrindo, brincalhão como sempre. Precisamos que nossas autoridades vejam a urgência disso e não abandonem as pessoas”, implora a jovem.

Carlos Rodrigues

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