Polícia

Réu por incêndio na penitenciária fica com sequelas neurológicas

Oito detentos morreram durante incêndio na Penitenciária de Marília (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

Acusado de atear fogo em um colchão e iniciar um incêndio que matou oito detentos na Penitenciária de Marília, Leandro Inácio da Silva não está mais internado no Hospital das Clínicas (HC) de Marília. Ele foi transferido para o Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário de São Paulo (CHSP), na capital paulista, onde permanece sob custódia e acompanhamento médico especializado.

Leandro havia sido internado no HC em 25 de novembro de 2025, em estado grave, após inalar grande quantidade de fumaça durante um incêndio ocorrido em sua cela. Deu entrada inconsciente e com insuficiência respiratória aguda grave, sendo submetido à intubação orotraqueal e mantido em ventilação mecânica na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até 30 de novembro.

Após a estabilização do quadro respiratório, foi transferido para a enfermaria, com retirada de sonda e reintrodução de dieta oral. No entanto, ao longo da recuperação, médicos passaram a observar déficits neurológicos decorrentes da falta de oxigenação adequada durante o episódio de insuficiência respiratória provocado pela inalação de fumaça.

Desde a transferência para o Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, em janeiro, o réu permanece consciente e colaborativo, porém, apresenta tetraparesia — redução significativa da força nos quatro membros — e baixa resposta à fisioterapia.

Também foram descritas fala e comportamento infantilizados, compatíveis com déficit neurológico por anóxia cerebral (falta de oxigênio no cérebro), padrão que, segundo avaliação médica, ele não apresentava antes do episódio, embora tivesse histórico de uso de substâncias psicoativas. Durante a internação no CHSP, exames apontaram ainda sinais de insuficiência cardíaca.

O laudo médico do CHSP foi apresentado à Justiça para atualização do quadro clínico do réu. A denúncia contra Leandro foi recebida pela 3ª Vara Criminal de Marília em dezembro de 2025. Ele é apontado como autor do incêndio que matou oito detentos na Penitenciária de Marília.

Charles Andrey Souto Silva, 44 anos; Wender Felipe Maciel, 25; Matheus Gregório da Silva, 22; Caio Vinícius Oliveira, 25; Thiago Nascimento de Oliveira, 33; Doildo Diego Pires, 35; Wallace Ferreira dos Reis, 22; e Augusto da Silva Gonçalves, 34, morreram em decorrência do incêndio.

Alcyr Netto

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