A hashtag “#exposedMarilia” ficou no ranking dos dez tópicos mais comentados do Twitter, entre o final da manhã e início da tarde. Parte dos relatos estão sendo repostados em uma página do Instagram, [clique aqui].
O assunto teve mais de 11 mil posts e foi impulsionado por muitos seguidores da cantora Marília Mendonça. A própria artista também comentou a questão.
É comum o uso da hashtag “exposed” (termo em inglês para exposto ou expor) no Twitter, acompanhada do nome de uma cidade, para encorajar mulheres a denunciarem episódios de violência sexual.
Entretanto, a rede social classificou o assunto como “sertanejo” – o que levou internautas a acharem que a tag remetia a algo sobre a cantora.
A artista escreveu sobre a confusão, em tom bem humorado. “Eu vi #exposedMarilia e pensei: AI MEU DEUS, e agora? descobriram que eu furei a dieta e tô bebendo vinho todo dia!”.
Post da cantora após perceber que não era ela o assunto (Imagem: Reprodução Twitter)
Além de alguns – poucos – posts criticando o tamanho da repercussão, as publicações com essa hashtag trazem relatos de abuso sexual com diferentes níveis de detalhamento. Muitos relatos de relacionamentos abusivos, mas também de encontros desagradáveis e até violência física e sexual por desconhecidos.
As jovens contam histórias de quando foram beijadas à força, molestadas por um parente, assediadas por um amigo, entre outras situações.
“Já passei por situações péssimas…Um dia voltando do carnaval voltei de ônibus lotado eu e minhas amigas, sentei nas últimas cadeiras do ônibus e nisso dois homens que estavam atrás começaram a passar a mão nas minhas costas e puxar o meu cabelo”, escreveu uma internauta.
Outra disse: “Caramba, dá vontade de chorar vendo os relatos do #exposedMarilia. É literalmente a minha cidade e eu NÃO FAZIA IDEIA de tudo que rolava por aqui. Eu tô simplesmente sem palavras”.
“Cada caso que vocês relatam nesta tag é como se fosse um tapa na cara. Pra mim, não existe violência maior do que o abuso, seja físico ou psicológico, e vir aqui expor isso para todos, inclusive seus próprios seguidores, é de uma coragem sem tamanho”, postou mais uma usuária.
Caso de polícia
A delegada titular de Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Viviane Yoneda Sponchiado, disse que não recebeu denúncias recentes sobre casos de abuso sexual, mas explicou que é possível abrir uma investigação com os relatos postados no Twitter.
“Na investigação a polícia usa prints de conversas e posts nas redes sociais, mas é fundamental que a vítima faça a denúncia”, orientou a delegada.
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