Marília

Venezuelanos são acolhidos por igreja e recomeçam vida em Marília

Família busca vida nova em Marília depois de sofrimento (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Marília começou a receber na última semana um grupo de venezuelanos que buscam refúgio da crise que assola o país o vizinho. O acolhimento está sendo feito por intermédio da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Yohann Roy Rafael Lara Chauran, de 35 anos, sua esposa Rosanne del Jesus Cermeno Ramirez, da mesma idade, e o filho do casal Roiber Rafael Lara Cermeno, chegaram na última quarta-feira (21) na cidade e conversaram com o Marília Notícia.

Outros familiares, inclusive duas crianças de um e dois anos, chegam entre este sábado (24) e a semana que vem. Todos vão morar no mesmo endereço, na zona Norte da cidade, até que consigam empregos e se tornem autossuficientes.

Até lá, cada casal terá seu quarto em uma casa mobiliada com a ajuda de doações. “Para comprar um litro de óleo [na Venezuela] era preciso ficar dois dias em uma fila”, conta Rosanne. “A quantidade de comida que vi no Brasil me impressionou”.

Uma compra feita no último domingo (18), no lado brasileiro da fronteira, por membros da igreja para apenas dois dias de estadia da família venezuelana, antes de seguir viagem, foi equivalente ao que eles estavam consumindo em um mês inteiro ou mais no país natal, segundo relataram.

Yohan, Rosanne e o pequeno Roiber chegaram em Pacaraima (RR) com pouquíssimos pertences no domingo. Eles foram encaminhados pelo programa de ajuda humanitária do grupo religioso. Com passagens doadas pela Azul, eles partiram para Manaus e Campinas.

A mãe, professora infantil, há muito tempo já estava sem emprego. O pai trabalhava como técnico em meio ambiente na então forte indústria petroleira da Venezuela, mas recentemente se especializou em manutenção para celulares.

Antes de decidir procurar ajuda para deixar o país, a família viu muitos outros amigos e parentes partirem. Eles contam que a decisão de vir para o Brasil foi um roubo na oficina em que Yohan mantinha seus equipamentos de trabalho.

Além da insegurança, a escassez de alimentos e a falta de trabalho, os refugiados relatam a falta praticamente total de médicos e extrema dificuldade para acesso a medicamentos, além de colapso em outros serviços básicos, como na educação.

“Vida nueva”

Yohan conta que deseja uma “vida nueva” no Brasil e tem expectativas de que seu filho desfrute de mais oportunidades no novo país. “Na Venezuela não há futuro. Nada vale um título de engenheiro, não tem emprego e o emprego que há não querem te pagar”.

Rosanne afirma que aqueles que são opositores do governo chavista têm ainda mais dificuldade de conseguir uma oportunidade de trabalho.

Eles também pretendem enviar recursos para os parentes que ficaram na Venezuela e precisam de ajuda. Mesmo demonstrando alegria, eles se emocionam e se dizem tristes em alguns momentos pela separação de outros entes queridos que não puderem partir.

“Os poucos dias que tenho no Brasil, em Marília, tenho visto o progresso, a união dos irmãos da igreja e me sinto como família, porque nos ajudam bastante. Estou poucos dias aqui e, sem embargos, me sinto muito feliz”, diz Rosanne.

Antes dos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os três familiares agradecem “ao pai celestial”. O filho, Roiber, comenta demonstrando o mesmo sentimento dos pais, “pai do céu vai cuidar de nós e deles também”.

Ajuda

A família ainda contará com o apoio do Centro de Autossuficiência e o projeto da Igreja de qualificação e preparação para emprego e introdução no Mercado de Trabalho.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias pretende ajudar durante os três primeiros meses, inclusive na busca encontrar empregos. Quem souber de alguma vaga e quiser ajudar de outras formas, deve entrar em contato com a igreja.

Integrante do Centro de Autossuficiência, Rose Borges, pode ser contatada pelo telefone (14) 9 9121-2171.

Membros da igreja que trabalham voluntariamente no acolhimento de venezuelanos (Foto: Leonardo Moreno/Marília Notícia)

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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