Quem não quer o uso de tecnologia no futebol?

O que fizeram com a emoção e o ritmo de jogo do futebol?

Quem me conhece sabe que gosto muito de futebol, como todo bom brasileiro. Meu time do coração não importa, mas fica a dica: ele tem 77% de chances de ser Campeão Brasileiro de 2016.

O problema é que não há um título de futebol de qualquer ano que quiser saber que não possa ser envolvido em alguma polêmica de arbitragem. O noticiário futebolístico é tomado por comentários, replays, análises, setas, gráficos, pausas e mais sobre os malditos erros da arbitragem.

O mais polêmico desses dias foi a interferência externa na decisão de um lance capital no jogo entre Fluminense e Flamengo. Vários minutos com jogo parado e, após o “sopro” da decisão correta no ouvido do juiz, bola que segue. Acontece que o “sopro” veio de alguém que analisou o lance com a ajuda de recursos tecnológicos, hoje proibidos no futebol.

Já devo ter escrito publicamente sobre isso, mas vale a pena repetir. Sou a favor que a Fifa estipule o uso de tecnologia no futebol. Um dos principais comentários contra o uso da tecnologia é que o futebol é apaixonante por causa dos erros e acertos humanos. Outro argumento é que o uso da tecnologia iria atrasar o jogo e diminuir o ritmo da partida. Quanta bobagem.

Sobre a paixão, digo: Como telespectador de basquete da NBA, de futebol americano da NFL, de tênis e vôlei, sinto uma emoção do tamanho da importância do lance para a partida ao ver uma jogada ser revisada com o uso da tecnologia. É emocionante!

No futebol americano, por exemplo, o lance segue até a sua conclusão, com um possível avanço de campo, roubada de bola ou touchdown, o gol. Se houver alguma suspeita de irregularidade, o técnico joga um pano vermelho em campo e o jogo fica paralisado para os árbitros revisarem a jogada. Uma apreensão toma conta do estádio e a decisão final é sempre muito vaiada ou celebrada.

Sobre o ritmo, digo: o torcedor admirador do espetáculo, como eu, se irrita, na verdade, com aquele jogador que sabe que não pode pegar a bola ou ficar na frente da bola no momento da falta, mas mesmo assim fica. Pior, ele não é punido. Quebrou o ritmo do jogo, impediu o lance rápido que poderia acarretar em gol e fazer explodir a torcida.

E a famosa “cera” de jogadores de linha e, mais notória, de goleiros? Subiu pra buscar a bola, caiu normalmente no chão, mas parece que lhe estão arrancando as unhas do pé com alicate, de tanta dor que o arqueiro parece sentir.

Tudo isso quebra o ritmo do jogo. Tudo isso impede que a emoção maior do futebol, o gol, aconteça. E pior, tudo isso é educativo também, mas não de um jeito que nos ajude a construir pontes entre educação e democracia. Para construir pontes entre educação e democracia, o ritmo como vivemos e as emoções que sentimos devem nos causar um sentimento moral, no caso, um sentimento de justiça.

Por isso ouso dizer que o uso da tecnologia no esporte pode ser moralmente educativo. Ele tem uma contribuição fundamental para a formação de cidadãs e cidadãos e para a construção da sociedade que queremos.

Marília Notícia

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