Marília

Profissionais falam sobre a rotina de trabalho na virada do ano

Equipe da UTI do HC/Famema já está acostumada com plantões de Natal e Ano Novo (Foto: Divulgação/Félix Naveda)

Muita gente aguarda o final do ano com ansiedade para aproveitar o Réveillon com a família ou amigos, em festas espalhadas por toda a cidade. Para que a maioria possa se divertir, alguns profissionais se desdobram em plantões durante o Natal ou Ano Novo. É o caso de quem trabalha na área de Saúde ou profissões ligadas à segurança pública ou patrimonial. O Marília Notícia ouviu dois profissionais que já estão acostumados com essa situação.

Ninguém escolhe a hora ou o dia de ficar doente. Também não é possível se programar ou imaginar a data em que precisará de cuidados médicos. É por isso que a equipe da UTI Adulto do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Marília (HC/Famema) trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive nos feriados, ao contrário do que acontece na maioria das profissões, quando as pessoas estão se divertindo em casa.

Para a médica intensivista e coordenadora da UTI Adulto do HC/Famema, Silene El Fakhouri, desde que se formou e escolheu trabalhar com terapia intensiva, sabia que teria que fazer plantões e que trabalharia em datas festivas, enquanto muitos estariam de folga. A profissional conta que durante dez anos trabalhou no Natal e no Ano Novo. Depois diminuiu um pouco o ritmo.

“Não pensamos muito nisso. Temos que vir, pois o trabalho tem que continuar. Quando a gente gosta do que faz, é o que tem de mais agradável do mundo. Sempre montamos uma escala com antecedência. Quem trabalha no Natal folga no Ano Novo e vice-versa. A gente deixa a família em casa, deixa folga, festa e levanta de manhã como se fosse um tocar do sino para cumprir uma missão”, afirma a médica.

Médica Silene El Fakhouri durante o trabalho no HC/Famema (Foto: Divulgação/Félix Naveda)

Silene diz que a família sempre entendeu as necessidades e exigências da profissão que escolheu. E destaca que os funcionários do hospital se tornam muito próximos, como uma segunda família, que se reúne nessas datas comemorativas.

“Meus pais nunca sentiram isso como uma afronta. Eles sempre acharam que era assim mesmo. Em casa é natural. Sempre fazemos uma comemoração interna [no hospital]. Passa a ser uma segunda família e fazemos uma pequena ceia. Alguns familiares de pacientes também compartilham com a gente alguns alimentos”, relata a médica.

Na portaria de uma universidade, Amarildo Pereira Viana já se acostumou com a rotina de trabalhar em um feriado e descansar em outro, já que ocupa essa função há 11 anos. Ele pontua que, mesmo no serviço, no momento da virada, a família liga para desejar uma Feliz Ano Novo.

“No começo foi difícil para se adaptar, mas depois acaba se acostumando. Você vê o pessoal festejando, mas você precisa ganhar o seu pão de cada dia. Sempre trabalho no Natal ou no Ano Novo. Quando dá meia noite, o pessoal de casa costuma ligar para desejar felicidades. É algo que já estou acostumado”, explica o porteiro.

Amarildo Pereira Viana trabalha na portaria de universidade (Foto: Alcyr Netto/Marília Notícia)

Viana diz que trabalhar em datas festivas faz parte da rotina. Ele revela que já ficou triste por não estar próximo dos familiares, mas é muito grato por ter um emprego e poder trabalhar, seja em qual data for.

“Alguns ficam um pouco tristes, por saber que a família está lá e você não, mas por outro lado, sabendo da dificuldade que as coisas estão, é muito bom saber que você tem um emprego e está trabalhando”, finaliza Amarildo Pereira Viana.

Alcyr Netto

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