Polícia

Preso do CR de Marília quer empreender ao cumprir pena

Reeducando no CR de Marília, Bruno tem facilidade com os números e espera um bom resultado na prova (Foto: Divulgação)

“Quando eu ganhar a liberdade, quero montar uma empresa no ramo alimentício”. Este é o sonho do reeducando Bruno Luiz Quadros Paglioco, de 39 anos, que cumpre pena por tráfico de drogas no Centro de Ressocialização (CR) de Marília. Ele é um dos detentos da unidade local inscritos na 18ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). A primeira fase do torneio ocorre nesta terça-feira (30).

No total, os presídios subordinados à Coordenadoria da Região Noroeste (CRN) inscreveram 4.006 reeducandos na Obmep. O número representa um aumento de 5% na quantidade de inscritos em relação ao ano passado, quando 3.804 presos estavam aptos a disputarem a maior competição científica do país. Somente em Marília, 178 detentos devem fazer o exame.

Para Bruno é um privilégio, com quase 40 anos de idade, prestar a prova da Obmep (Foto: Divulgação)

Para Bruno é um privilégio, com quase 40 anos de idade, prestar a prova. “Sempre me identifiquei com matemática”, destaca o reeducando, que cursava o 7º ano do Ensino Fundamental, quando largou os estudos, aos 16 anos.

“Me mudei para a propriedade da família no munícipio de Terra Nova (MS). Por ser área rural e longe da escola, parei de estudar. Fui preso em 2019 e tive a oportunidade de retomar os estudos na unidade prisional”, conta Bruno.

Gean voltou a estudar no CR de Marília (Foto: Divulgação)

NOVOS DESAFIOS

Outro reeducando recluso no CR de Marília inscrito na Obmep, também condenado por tráfico de drogas, Gean Orosco de Souza de 24 anos estava no 2º ano do Ensino Médio quando, aos 17, precisou abandonar a escola para trabalhar e ajudar no sustento de sua família. No ano seguinte, foi preso e voltou a estudar no estabelecimento penal.

“Estou muito feliz, pois, neste semestre, termino o 3º ano do Ensino Médio”, comemora Gean, que enxerga na Olimpíada de Matemática uma chance de encarar novos desafios. “Estando preso é uma oportunidade de disputar a Olimpíada com o Brasil inteiro”, observa.

“Meus planos é sair da unidade ressocializado, arrumar um emprego e cuidar da minha filha”, finaliza.

Matriculado na escola da unidade, Gean conclui o Ensino Médio ainda neste semestre (Foto: Divulgação)

INCENTIVO

Com o objetivo de preparar as pessoas privadas de liberdade para o retorno à vida em sociedade, as secretarias de Estado da Administração Penitenciária (SAP) e da Educação (Seduc-SP) vêm estimulando, cada vez mais, os reeducandos a participarem da Olímpiada de Matemática. Em âmbito estadual, a pasta inscreveu 15.439 detentos no torneio.

Presos que não possuem formação escolar podem, inclusive, concluir os estudos enquanto cumprem pena. Isso é possível graças às escolas vinculadoras instaladas dentro dos presídios, que oferecem formação dos ensinos Fundamental e Médio. Os reclusos também participam de cursos de línguas, profissionalizantes e do Ensino Superior.

DESTAQUES

Realizada pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), a Obmep é uma realidade no sistema prisional paulista desde 2012. A SAP, inclusive, tem histórico positivo na Olimpíada.

Na edição de 2017, um presidiário colombiano, que cumpria pena na Penitenciária “Cabo PM Marcelo Pires da Silva” de Itaí, faturou a medalha de ouro. Ele foi o primeiro preso na história do torneio a levar o prêmio máximo.

Em 2018, dois detentos conseguiram prata e bronze. Já em 2019, outro preso da Penitenciária de Itaí, de origem francesa, foi condecorado com a insígnia de bronze.

No ano passado, mais dois detentos da região Noroeste se destacaram: um da Penitenciária de Itaí, que conquistou medalha de prata, e outro da Penitenciária I “Rodrigo dos Santos Freitas” de Balbinos, que faturou bronze.

Daniela Casale

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