Marília

Praça inacabada é alvo de reclamações na zona Sul

“Praça de guerra”, diz morador (Foto: Leonardo Moreno)

A Prefeitura de Marília publicou nesta sexta-feira (13) a rescisão do contrato de construção da praça Ivo Perdonatti, no Bairro Jardim Nacional, zona Sul de Marília, que estava prevista para ser entregue em outubro de 2016 ao custo de R$ 255 mil.

A área está localizada na confluência das ruas Bartolo Bassalobre, Samuel de Almeida e Francisco Morelato. A empresa, que também assinou a rescisão “por vontade bilateral”, é a Astolfi Construtora LTDA EPP.

A obra foi iniciada em junho do ano retrasado, poucos meses antes da eleição municipal, e deveria ficar pronta quatro meses depois. Um evento chegou ser realizado no bairro com participação da população para assinatura do contrato.

A reportagem apurou que a obra chegou a ser iniciada pela construtora contratada, mas após as eleições municipais, onde o ex-prefeito Vinicius Camarinha (PSB) foi derrotado nas urnas, a construção acabou paralisada e pouco avançou desde então.

Na área de pouco mais de sete mil metros quadrados, estava previsto academia ao ar livre, playground, quadra de areia, passeio interno, piso de passeio restaurado, bancos, lixeiras, rampa interna, seis rampas de acesso para cadeirantes nas calçadas e moderna iluminação.

Na época do lançamento da obra, o então secretário de Obras, Antônio Carlos Nasraui, disse que seria “uma área de grande benefício à população”.

Em junho do ano passado a reportagem do Marília Notícia esteve no local. Desde então, pouco mudou. Um ano e meio após o prazo previsto para conclusão, o local está praticamente abandonado, com mato alto, lixo e entulho. Definitivamente, não se parece com uma praça.

Dos dispositivos de lazer e esporte previstos, sobraram duas enormes caixas de areia e alguns bancos de concreto, quase a esmo. A iluminação é precária. Um morador ouvido pelo MN, que não quis se identificar, disse que o local se parece mais com “uma praça de guerra”.

“Colocaram os bancos no ano passado, para ficarmos esperando sentados”, afirma Neide da Silva, dona de um brechó nas proximidades. Ela se queixa de não ter onde levar seu filho para brincar e dos carrapatos que a impedem seus cães de passear no terreno onde deveria ter uma praça pronta.

Ela também afirma que a placa com informações sobre a obra, como valores e prazos, obrigatória por lei, foi retirada na semana passada. “Em 2018 não vi qualquer movimentação por aqui”, afirma a mulher.

Outro lado

Em 2017, o secretário de obras era Avelino dos Santos Modelli, o Lino. Na ocasião ele disse ao MN que a praça em construção estava com o contrato suspenso.

“Estamos mudando um custo para ser pago com a CIP e ainda tem mais ou menos R$ 45 mil que vou falar com o Levi [secretário da Fazenda], se podemos voltar com a obra”, disse há quase um ano.

Nesta sexta-feira o MN procurou novamente o poder público para saber o motivo da rescisão contratual, quanto falta para terminar a obra, quanto já foi pago por ela e quanto falta pagar. No entanto, até o fechamento desta reportagem não houve retorno.

A equipe do site ligou nos telefones do atual secretário de Obras Públicas, André Luiz Ferioli, e do secretário de Planejamento Urbano, Rubens Ishii, que assinaram a rescisão, mas não conseguiu falar com eles.

O MN não conseguiu contato com a construtora.

Placa com detalhes da obra foi retirada na semana passada, dizem moradores (Foto: Arquivo)

Bancos para moradores “esperarem sentados”, reclamam (Foto: Leonardo Moreno)

Entulho e lixo no canteiro de obras paralisado (Foto: Leonardo Moreno)

Estavam previstos playground e academia ao ar livre: ficaram duas caixas de areia (Foto: Leonardo Moreno)

Área está longe de se parecer um espaço de convívio (Foto: Leonardo Moreno)

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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