Marília

Preço do leite registra queda em Marília em período atípico

O comportamento dos preços do leite segue atípico em 2023, afetando produtores de Marília e região. Com uma safra pouco expressiva, as cotações registraram alta no primeiro bimestre em função da oferta limitada, sendo que no segundo bimestre, o avanço da entressafra intensificou o movimento de valorização. Contudo, a tendência de alta já passou e os preços começaram a cair.

A queda no terceiro bimestre é bastante incomum para o setor, já que, historicamente, esse período é caracterizado pela elevação das cotações em decorrência da diminuição sazonal da produção. Com uma produção limitada pelo período de estiagem, os preços do leite caíram, sobretudo devido ao aumento da oferta de lácteos importados e ao enfraquecido consumo doméstico.

O pecuarista José Luiz Tavares reclamou da situação enfrentada pelos produtores de leite. Ele afirmou que o custo de produção é mais elevado neste período, mas com a importação do leite que chega da Argentina, os preços caíram.

“Muitos estão desistindo de seguir com produção de leite. Agora estamos no momento de entressafra e o preço teria que aumentar um pouco, para cobrir os custos maiores, mas não foi o que aconteceu. O governo federal passou a importar leite da Argentina, derrubando os preços no país e prejudicando os produtores locais”, conta o pecuarista.

O último preço indicado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgado em maio, estava avaliado em R$ 2,84, contra R$ 2,91 no mês de abril, ou seja, redução de 2,4%. No mesmo período do ano passado, entre abril e maio, o valor do produto passou de R$ 2,47 para R$ 2,61, com aumento de 5,48%.

Segundo o Cepea, o aumento das importações de lácteos é um fator importante nesse contexto porque, além de o volume estar superior ao de anos anteriores, os preços negociados seguem mais competitivos em relação aos nacionais – o que pressiona as cotações domésticas ao longo de toda a cadeia.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em maio, as importações somaram mais de 208,8 litros em equivalente leite, altas de 42% frente a abril e de 219% em relação a maio de 2022.

As compras realizadas entre janeiro e maio deste ano estão três vezes maiores que as registradas no mesmo período do ano passado. Essa quantidade representa aproximadamente 9,1% da captação formal de leite cru, tendo como base os dados da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE de 2022.

É importante ressaltar que, no mesmo período do passado, as importações representaram apenas 2,9% da captação nacional. Com o aumento da disponibilidade interna de lácteos e o consumo ainda fragilizado, já era possível observar, depois da segunda quinzena de abril, queda nos preços do leite e dos derivados lácteos.

Alcyr Netto

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