Moradores de Brumadinho, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, contabilizavam nesta sexta-feira, 25, os estragos causados pelo rompimento de uma barragem da Vale e procuravam parentes e amigos desaparecidos após o desastre. Pelo menos nove pessoas morreram e há 150 desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros.
“Quando deu a hora de almoçar, saí do trabalho e fui esquentar almoço para mim e para minha filha. Ouvi um barulho, igual ao de um helicóptero e sai para o terreiro para ver o que era. Quando olhei para a barragem, ela estava estalando e gritei: ‘Ana Clara, traz o telefone e corre'”, conta Maria Aparecida, moradora de Córrego do Feijão.
Ela conta que viu a casa ser levada pela lama. “Catei o braço dela (da filha) e subi morro acima. Quando olhei para trás, vi aquela devastação. A pousada em cima foi embora e a minha casa também”.
Segundo o tenente Pedro Aihara, do Corpo de Bombeiros, uma pousada com 38 pessoas – entre hóspedes e funcionários – desapareceu sob a lama. “A área da pousada, que costumava receber muitos hóspedes, incluindo famosos, foi varrida pela força dos rejeitos.”
O empresário Márcio Mascarenhas, dono do local e fundador da escola de inglês Number One, foi identificado entre as vítimas. A empresa anunciou luto em sua página na internet, confirmando a morte de Mascarenhas, sua esposa e seu filho.
O produtor rural Milton Geraldo Rodrigues viu os efeitos do rompimento da barragem. “Estava trabalhando na roça e, quando cheguei em casa, já tinha acontecido a tragédia. Minha casa não foi atingida, mas falaram que a gente não podia ficar lá. Dizem que está minando água e que é perigoso.”
Moradores buscavam parentes desaparecidos durante todo o dia e à noite. “Meu cunhado estava lá. Ele era técnico de segurança. A última visualização dele (no WhatsApp) foi 12h21. Depois disso ligamos para ele e nada”, disse Reginaldo de Almeida, de 33 anos
“Estou aqui com a minha prima atrás de informações do marido dela, Warley Lopes Moreira. Ele é engenheiro da Vale, é itinerante, mas hoje estava nessa unidade. A Vale não dá nenhuma informação concreta. É desumano isso aqui, viemos de Belo Horizonte, atrás de alguma informação, um ponto de apoio, mas não temos nada”, disse Gustavo Borges.
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