A gasolina comercializada nos postos de combustíveis de todo o país passa a conter, a partir deste sábado (1º), 32% de etanol anidro, dois pontos percentuais acima da mistura anterior, de 30%. A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada pelo mesmo período.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a medida busca reduzir a dependência da importação de combustíveis fósseis. A pasta estima que o aumento da participação do etanol permitirá reduzir a importação de cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano.
Em Marília, representantes do setor de combustíveis ouvidos anteriormente pelo Marília Notícia afirmaram que a alteração deve provocar uma pequena redução no preço da gasolina. De acordo com o empresário Guilherme Moreira, a expectativa é de queda média de aproximadamente R$ 0,02 por litro, em razão da redução da participação da gasolina fóssil na mistura.
MPF acionou justiça para suspender aumento de etanol
No entanto, a nova composição já é alvo de questionamentos na Justiça. O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública, com pedido de liminar, para suspender a decisão do governo federal. O órgão sustenta que o aumento da mistura obrigatória de etanol foi aprovado sem estudos técnicos suficientes para comprovar a segurança da medida para toda a frota brasileira.
Na ação, o MPF argumenta que os estudos utilizados para embasar a decisão foram elaborados para validar a mistura anterior, de 30% de etanol, e não a nova composição. O órgão também afirma que não foram apresentados estudos conclusivos sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia, compatibilidade com diferentes tecnologias da frota e impactos do uso contínuo da gasolina E32.
O Ministério Público Federal ainda aponta que existem evidências de que o aumento da concentração de etanol pode provocar corrosão de componentes metálicos, desgaste prematuro de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, principalmente em motocicletas, veículos antigos e alguns modelos importados. A ação também pede a realização de perícia técnica independente e indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos.
Enquanto a ação aguarda análise da Justiça, a nova gasolina já começou a ser distribuída aos postos e passa a integrar o combustível vendido ao consumidor.
O que dizem especialistas
Quando o aumento da mistura foi anunciado pelo governo federal, o Marília Notícia ouviu representantes do setor de combustíveis sobre os possíveis impactos da medida.
O empresário Gustavo Cezar Henrique da Silva explicou que veículos flex mais modernos não devem apresentar alterações significativas, pois já foram projetados para operar com misturas mais elevadas de etanol. Por outro lado, veículos antigos movidos exclusivamente a gasolina e alguns modelos importados podem ser mais sensíveis à nova composição.
Segundo ele, o etanol possui maior capacidade de absorver umidade, o que pode representar risco para veículos que permanecem longos períodos sem utilização. Gustavo também afirma que pode haver uma pequena redução no rendimento, já que a gasolina possui maior poder energético.
Na época do anúncio, o Ministério de Minas e Energia informou que a adoção da gasolina E32 foi respaldada por estudos técnicos previstos na Lei do Combustível do Futuro e afirmou que os testes realizados não identificaram danos significativos ao funcionamento dos veículos compatíveis com a gasolina comercializada no país.
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