Marília

População sofre com falta de médicos em UBSs de Marília

A população mais carente de Marília vem sofrendo com a falta de médicos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Na teoria, os moradores dos bairros deveriam contar com clínico geral, pediatra e ginecologista. Mas não é o que acontece em boa parte das 12 unidades espalhadas pela cidade. Faltam também enfermeiros e outros profissionais.

Elas são geridas pela Secretaria de Saúde do Município e os médicos são contratados para jornadas de três horas por dia, 15 horas por semana. Com a falta de funcionários, os que estão na ativa precisam atuar em várias unidades.

Castelo Branco, Costa e Silva, Bandeirantes e Juscelino Kubitschek são alguns dos bairros em que faltam profissionais nas unidades, de acordo com apuração feita pela reportagem do Marília Notícia.

“Precisei marcar consulta para minha mulher e meu filho, com ginecologista e pediatra, na UBS perto de casa, e me disseram que não tem médico”, afirma um morador da zona Norte ouvido pela equipe do MN.

Quanto aos médicos da família no Sistema Único de Saúde (SUS), também estão sendo reduzidos nos últimos anos.

Em 2016 chegaram a ser 53. Em agosto deste ano eram 15% menos, ou seja, 45. Os números são do Departamento de Informática do Sistema Única de Saúde (DataSUS). Os cortes começaram ainda no final do governo Vinícius Camarinha e continuaram com Daniel Alonso.

A informação é de que são 122 médicos cadastrados em Centros de Saúde e Unidades Básicas de Saúde. Aqui estão englobadas as 12 UBSs e os 37 postos da Estratégia da Saúde da Família (PSF), sob responsabilidade da Maternidade Gota de Leite.

No caso da ESF, é previsto apenas um clínico geral por unidade, sem a presença dos especialistas.

Na tentativa de resolver o problema da falta de pessoal na saúde básica, médicos da ESF foram alocados em UBSs, mas o problema persiste. “Está meio bagunçada a coisa e a demanda é muito grande”, disse um médico ouvido pela reportagem, que prefere não se identificar.

O tamanho da rede municipal pode ser um dos desafios para resolver a questão. Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) de 2017 mostram que entre USFs e UBSs, Marília (49) possui mais unidades do que cidades maiores, como Bauru (24), São José do Rio Preto (25) e até Ribeirão Preto (44).

Outro lado

A Secretaria Municipal da Saúde de Marília informou que, “entre as alternativas para ampliação de médicos na rede de atenção básica, o município pretende realizar Chamamento Público também para atuação nas especialidades”.

Leonardo Moreno

Leonardo Moreno é jornalista e atualmente cursa Ciências Sociais. Vê o jornalismo de dados como uma importante ferramenta para contar histórias, analisar a sociedade e investigar o poder público e seus agentes.

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