Brasil deve passar a ter biodiesel em combustível marítimo

A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) autorizou a Petrobras a vender combustível de navegação com 24% de biodiesel, em um primeiro passo para a inserção de combustíveis renováveis no transporte marítimo brasileiro.

Testes feitos pela estatal apontaram redução de 19% nas emissões de gases do efeito estufa com o uso da mistura. O biodiesel utilizado foi produzido a partir de gordura animal e, segundo a ANP, resultados mostraram que não houve danos a motores e outros sistemas.

O transporte marítimo responde sozinho por 3% do total de emissões de gases do efeito estufa no planeta, e os biocombustíveis são apontados como fundamentais para adaptar o setor ao esforço para conter a emergência climática.

Em seu último plano de redução de emissões, a IMO (sigla em inglês para Organização Marítima Internacional) espera queda de ao menos 20% até 2030 e ao menos 70% até 2040. A meta é zerar emissões em 2050.

“A autorização da ANP reforça a estratégia da Petrobras no desenvolvimento de produtos mais sustentáveis para oferecer ao mercado combustíveis com maior valor agregado e com baixa pegada de carbono”, afirmou a estatal.

A empresa diz que os testes foram realizados em situações reais de navegação e acompanhamento de dados de navios, como consumo, potência, distância percorrida, além do desempenho do combustível em filtros e sistemas de purificação.

“Os resultados indicaram que não houve ocorrência atípica no funcionamento dos motores das embarcações, tampouco nos sistemas de tratamento do combustível (centrífugas e filtros), confirmando as viabilidades operacionais e comerciais do bunker com conteúdo renovável da Petrobras”, afirmou.

A empresa prevê em seu plano estratégico investimento de US$ 11,5 bilhões em transição energética e iniciativas de baixo carbono. Grande parte do investimento é focado em iniciativas para descarbonizar suas atividades.

Mas a Petrobras vem trabalhando também no desenvolvimento de outros novos combustíveis, como o diesel renovável produzido com matéria prima vegetal ou animal, hoje já produzido em duas refinarias no país, no Paraná e em São Paulo.

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POR NICOLA PAMPLONA

Folhapress

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