Moradores reclamam de problemas estruturais (Foto: Reprodução)
Foi realizada nesta terça-feira (23) a primeira vistoria nos prédios do Conjunto Habitacional Paulo Lúcio Nogueira, zona Sul de Marília. A perícia para verificar os riscos no local foi determinada pela Justiça em 2018, porém uma discussão sobre quem arcaria com os custos atrasou o serviço. Por fim, o Judiciário atribuiu o pagamento ao Estado.
O condomínio composto por 880 apartamentos – divididos em 44 blocos com cinco andares cada e quatro apartamentos por nível – foi construído pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).
O perito judicial responsável pela vistoria é o engenheiro civil Paulo César Lapa. O profissional esteve no local na manhã de ontem e deve retornar ao conjunto em breve para uma segunda fiscalização.
“Devo agendar entre hoje e amanhã a segunda vistoria. Acredito que essa outra seja definitiva, mas vai depender do andamento no dia. Estou analisando tudo e, após o término da vistoria, vou emitir um laudo”, conta o perito, que preferiu não adiantar a avaliação.
Como os representantes das partes (Ministério Público, CDHU e Prefeitura) são intimados para acompanhar as vistorias, a perícia é agendada com cerca de um mês de antecedência. A expectativa é que a próxima ocorra no final de setembro.
Rachaduras e infiltrações são alguns dos problemas apontados pelos moradores (Foto: Reprodução)
AÇÃO
A ação civil pública foi proposta em maio de 2018 pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do promotor de Justiça Ezequiel Vieira da Silva e da Defensoria Pública, após representação feita por um morador do condomínio. A ação é contra Prefeitura e CDHU.
A Promotoria solicitou uma vistoria no local ao Corpo de Bombeiros, que verificou a existência de irregularidades como falta de sistema de alarme de incêndio, fiação elétrica exposta, telhado instalado sobre depósito de gás e interdição, pela Defesa Civil, do bloco J2.
Segundo o MP, “vistoria realizada pelo município de Marília concluiu pela ‘necessidade urgentíssima’ de intervenção do Poder Público para evitar uma catástrofe no local.”
O objetivo da perícia é “apurar eventuais falhas de projeto e de execução das obras, indicar obras e medidas urgentes necessárias para a garantia da salubridade e segurança dos moradores, além de apontar demais obras necessárias para a completa regularização do empreendimento no que se refere à reforma, reconstrução e revitalização dos blocos de apartamentos”, de acordo com o Ministério Público.
Antes do início do processo, a administração municipal expediu intimação para que a CDHU adotasse as providências cabíveis, mas a companhia, além de não cumprir o determinado, voltou a afirmar que as ações não seriam de sua responsabilidade.
Durante o processo, a CDHU vem alegando que entregou o empreendimento em plenas condições de uso e os problemas atuais seriam decorrentes de mau uso.
A ação pede que a Justiça, entre outras determinações, obrigue a CDHU a restabelecer os serviços de administração condominial e orientação social em todo o condomínio, contratando empresa, por pelo menos três anos, para capacitar os moradores de modo que eles possam assumir, sozinhos, as responsabilidades do residencial.
OUTRO LADO
O MN procurou a CDHU e a Prefeitura de Marília para posicionamento, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
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