Uma idosa de 68 anos, moradora do bairro Maracá, no distrito de Padre Nóbrega, zona norte de Marília, procurou a reportagem para relatar que foi vítima de um golpe aplicado por meio de mensagens de celular. A mulher, que ganha pouco mais de R$ 1 mil por mês, perdeu quase R$ 3 mil em poucos minutos.
O crime consumiu a aposentadoria de fevereiro, as economias acumuladas ao longo de alguns meses e ainda deixou a vítima com saldo negativo. Restaram desabafos sobre a maldade dos criminosos, enviados em mensagens que sequer foram visualizadas pela outra parte.
“Depois que pegam o seu dinheiro, eles te bloqueiam. Mas Deus há de fazer justiça e pesar a mão em cima dessa gente. Que tem coragem de tirar de quem já tem pouco?”, lamenta. “Que outros [idosos] não sejam inocentes, ingênuos como eu fui”, completa, em entrevista ao Marília Notícia.
Golpe
Segundo a pensionista, o contato começou quando ela recebeu uma mensagem de texto de um desconhecido que se apresentou como integrante de uma suposta consultoria advocatícia.
O interlocutor afirmou que a idosa teria ganhado uma ação contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e que teria direito a sacar cerca de R$ 49 mil. Para dar veracidade à história, enviou um arquivo em PDF com logotipos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além do nome completo da vítima, número de processo e o suposto valor a ser recebido.
O argumento era de que, para liberar a quantia, seria necessário realizar uma “atualização bancária”. A idosa chegou a se oferecer para “ir ao escritório”, mas o interlocutor respondeu que todo o procedimento poderia ser feito pelo celular, de forma mais fácil e rápida.
Acreditando na informação, a vítima forneceu os dados da conta onde recebe o benefício, para o suposto depósito. Conforme o relato, a partir disso o golpista conseguiu assumir o controle da conta, cadastrou uma chave Pix — embora ela não utilizasse esse tipo de transferência — e passou a movimentar o dinheiro.
Foram realizados diversos saques, um pagamento de documento no valor de R$ 980 e transferências de R$ 567, R$ 200, R$ 500, R$ 80 e R$ 400, totalizando um prejuízo de R$ 2.727.
A idosa contou que, antes do golpe, tinha cerca de R$ 900 na conta, economizados ao longo de meses com parte do benefício. Após as movimentações indevidas, o saldo ficou negativo e ela afirma que agora ainda teme a cobrança de juros.
Revoltada, a pensionista procurou a Central de Polícia Judiciária (CPJ), de onde saiu com um boletim de ocorrência em mãos. Agora, pretende procurar o banco na esperança de reaver o valor perdido, o que pode não acontecer.
Ela decidiu falar publicamente para alertar outras pessoas e explicou que acreditou na história porque já havia ingressado com uma ação contra o INSS no passado, mas não conseguiu dar continuidade ao processo.
Por desconhecer o desfecho do pedido, acabou se tornando uma presa fácil. “É um dinheiro que vai fazer muita falta. Eu não sei o que fazer agora. Minha esperança é só Deus”, desabafou. “Que outras pessoas não passem por isso”, desejou a aposentada.
A polícia alerta que o caminho mais seguro para obter informações sobre ações judiciais e benefícios é o atendimento presencial. Embora existam canais digitais, instituições como o INSS, bancos e órgãos do Judiciário não solicitam dados bancários nem informações sensíveis por telefone ou mensagens.
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