Esportes

Paris e outras cidades francesas boicotam Copa do Mundo

Paris e outras cidades francesas pretendem não dar atenção à Copa do Mundo como forma de protestar contra violações de direitos humanos e outros problemas relatados no Catar, país-sede do evento. Em uma espécie de boicote, as prefeituras decidiram não instalar os tradicionais telões gigantes em locais públicos para os cidadãos assistirem às partidas da seleção francesa.

De acordo com a Prefeitura de Paris, administrada por Anne Hidalgo, a decisão foi tomada para mostrar um posicionamento contrário aos episódios de abusos trabalhistas e descaso ambiental denunciados durante as obras do Catar para a Copa do Mundo. Além disso, há razões meteorológicas, pois as temperaturas na França estarão baixas, já que esta edição será realizada entre novembro e dezembro, na transição do outono para o inverno.

Além de Paris, outras cidades que aderiram ao movimento foram Marselha, Burdeos, Estrasburgo e Lille. Em nota, a Prefeitura de Marselha classificou a realização do mundial no país árabe como uma “catástrofe humana e ambiental, incompatível com os valores que o esporte transmite”.

Desde dezembro de 2010, quando o Catar ganhou o direito de sediar o Mundial deste ano, surgiram diversas denúncias de violação de direitos humanos no país, principalmente em relação às condições dos trabalhadores imigrantes. As indústrias e construtoras contratam a maior parte de seus funcionários em outros países.

Quando os trabalhadores chegam ao Catar, vão viver em alojamentos mantidos pelas próprias empresas na zona industrial de Doha. Apesar de não haver um número oficial, ocorreram milhares de mortes nas construções, conforme relatado pelo jornal britânico The Guardian em reportagem publicada no ano passado., outro problema do país é a questão ambiental. Muito se tem criticado os sistemas de ar-condicionado instalados nos estádios, em razão da alta emissão de CO2 que isso causará.

O cenário vem motivando outros boicotes e manifestações. A seleção norueguesa, por exemplo, lançou uniformes para homenagear os trabalhadores que morreram durante as obras para o torneio. A federação dinamarquesa também aderiu a uma campanha europeia lançada na semana passada, na qual os capitães de cada equipe usarão braçadeiras “One Love” em forma de coração e multicoloridas nos jogos da Copa.

Agência Estado

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