Marília e região

Parabéns, Marília: dos trilhos ao boom urbano, cidade segue rumo ao centenário

Marília chega aos 97 anos em ritmo de expansão que a acompanha desde início de sua história (Foto: Joe Arruda/Marília Notícia)

Marília completa 97 anos de emancipação político-administrativa neste sábado (4), mantendo um ritmo de expansão urbana e populacional que remete ao ciclo de crescimento registrado na década de 1930, período considerado o primeiro grande “boom” da cidade.

Às vésperas do centenário, a ser comemorado em 2029, o município segue em transformação, impulsionado principalmente pelo setor imobiliário e pela diversificação de suas atividades econômicas, consolidadas ao longo de sua trajetória.

O paralelo histórico encontra respaldo nas origens do desenvolvimento local. Nos anos 1930, a então jovem Marília experimentou rápida expansão com a chegada da ferrovia e a atuação política de Bento de Abreu Sampaio Vidal, um dos fundadores do município.

Rua Coronel Galdino, nos anos 1940, em área então recém-urbanizada no Centro da cidade (Foto: F. Muzzi)

A crise provocada pela quebra da bolsa de Nova York, em 1929, e o declínio do café favoreceram o desmembramento de grandes propriedades rurais, dando origem a pequenos lotes e aos primeiros bairros urbanos.

A doação de áreas, prática incentivada por lideranças locais, também contribuiu para atrair a indústria do algodão e ampliar a ocupação territorial. A melhoria do acesso por estradas e o aumento da circulação de veículos e pessoas culminaram, em 1938, com a inauguração do aeroporto Frank Miloye Milenkovich e de uma rodoviária considerada, à época, a primeira do país.

Instalação de primeira rodoviária, em 1938, impulsionou fluxo de pessoas e negócios em Marília (Foto: Luiz Mott)

Em 1940, a frota de veículos de Marília já era superada apenas pelas de São Paulo, Santos e Campinas, enquanto a cidade contava com oito agências bancárias, entre elas a Casa Almeida, que daria origem ao Bradesco.

Ao longo das décadas seguintes, o município ampliou suas vocações econômicas. A partir da segunda metade do século 20, empresas como a Marilan, a extinta Ailiram e a Dori consolidaram Marília como polo da indústria alimentícia, posição reforçada com a chegada da Nestlé em 1988.

Crescimento populacional

A expansão do comércio, do Centro para os bairros, e de outros empreendimentos industriais, como a Sasazaki e a antiga fábrica da Antarctica, também contribuíram para atrair trabalhadores e impulsionar o crescimento populacional.

Esse avanço se reflete nos dados demográficos. Em 1980, aos 51 anos, Marília tinha 121.768 habitantes. Quatro décadas depois, o Censo de 2022 do IBGE registrou 237.627 moradores, praticamente o dobro. A expansão urbana acompanhou esse movimento, com a criação de condomínios verticais e horizontais, sobretudo a partir da década de 1970, com destaque para a zona leste, considerada a mais valorizada.

Bairro Nova Marilia, inaugurado em 1983, ainda com cafezais ao redor (Foto: Registros Históricos)

A implantação de grandes conjuntos habitacionais também teve papel central na ocupação do território. O bairro Nova Marília, na zona sul, com cerca de três mil casas, foi um dos marcos desse processo nos anos 1980. Mais recentemente, bairros como Trieste Cavichioli, Montana e Maracá, na zona norte, ampliaram a oferta de moradia e absorveram milhares de novos moradores.

O atual ciclo de crescimento inclui ainda a previsão de novos bairros no entorno do distrito de Padre Nóbrega, em direção ao oeste paulista. A expansão pode levar à conurbação com o município de Oriente, quando as áreas urbanas passam a se conectar fisicamente.

Desafios rumo ao centenário

O avanço territorial, no entanto, impõe desafios semelhantes aos enfrentados desde a formação da cidade. A ampliação da infraestrutura de água e esgoto é considerada uma das principais demandas, exigindo investimentos da concessionária RIC Ambiental, responsável pelo serviço desde 2024, em contrato de 35 anos.

A abertura de novos bairros também pressiona o poder público por mais unidades de saúde, escolas e ampliação do transporte coletivo, atualmente operado por duas empresas, além de serviços de coleta de lixo e de segurança pública.

Com a proximidade do centenário, Marília projeta manter o ritmo de crescimento e atrair novos moradores, em um cenário que remete ao dinamismo de sua fundação. A expectativa é que a cidade alcance os 100 anos em expansão, mas com a necessidade de equilibrar desenvolvimento urbano e atendimento às demandas da população.

Rodrigo Viudes

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